Software que utilizará o banco de dados do Disque Denúncia para reconhecer foragidos da Justiça através de câmeras de segurança - Fernando Frazão / Agência Brasil
Software que utilizará o banco de dados do Disque Denúncia para reconhecer foragidos da Justiça através de câmeras de segurançaFernando Frazão / Agência Brasil
Por Agência Brasil

Rio - A busca de criminosos por meio de câmeras com programa de reconhecimento facial, que já é realidade em vários países, começa a ser implantada no Rio de Janeiro. Um convênio anunciado, nesta terça-feira, entre o Disque Denúncia e a empresa britânica Staff of Technology Solutions, permitirá que cerca de 1.100 dos criminosos mais perigosos do estado sejam automaticamente reconhecidos quando passarem por uma das câmeras que compõem o sistema denominado Facewatch.

Com isso, um alarme é disparado silenciosamente para as autoridades mais próximas do local, que passam a monitorar o criminoso até a possibilidade de sua prisão da forma mais segura possível, talvez mesmo sem disparar um tiro.

"A nós do Disque Denúncia cabe fornecer o banco de dados, com as imagens de procurados, bandidos perigosos, principais alvos do Rio de Janeiro. Estas informações serão utilizadas nas câmeras, para fazer o reconhecimento facial. Se um desses procurados entrar em algum lugar que esteja monitorado, ele poderá ser identificado", explicou o coordenador do Disque Denúncia, Zeca Borges.

O cônsul-geral britânico, Simon Wood, e o coordenador do Disque Denúncia, Zeca Borges, falam sobre parceria com The Staff of Security, empresa inglesa de software. - Fernando Frazão / Agência Brasil

Uso no Reino Unido

O chefe de operações da subsidiária da empresa britânica no Rio, Matheus Torres, explicou que a tecnologia do reconhecimento facial se destina à segurança pública e privada. Segundo ele, o Facewatch é utilizado há sete anos no Reino Unido, sendo homologado pelas principais entidades de segurança britânicas em mais de 30 mil câmeras espalhadas pelo país.

"O sistema é utilizado como ferramenta de segurança pública. A polícia do Reino Unido usa em câmeras de rua e câmeras privadas. No Brasil, estamos trabalhando há um ano e meio. A dificuldade aqui é que as câmeras são de CFTV (monitoramento em circuito fechado), colocadas muito altas e distantes", disse Torres.

Segundo Torres, existem câmeras de reconhecimento facial em três shoppings da capital, além de edifícios comerciais. Recentemente, um traficantes procurado pelo Disque Denúncia foi reconhecido e preso em um shopping por meio do sistema, que alertou forças de segurança, que o detiveram, sem oferecer resistência.

O diretor da empresa inglesa de sowftare, The Staff of Security, Matheus Torres fala sobre a parceria com o Disque Denúncia, para utilização do sistema de reconhecimento facial. - Fernando Frazão / Agência Brasil

Direito à individualidade

O anúncio da parceria com o Disque Denúncia ocorreu na residência oficial do cônsul-geral britânico no Rio, Simon Wood, reunindo especialistas no assunto. Segundo o diplomata é necessário haver um arcabouço de leis que protejam os dados capturados pelas câmeras, para garantir o direito de cada cidadão à individualidade.

"Nós temos muitos anos de experiência com câmeras de vigilância em Londres. Para nós, a liberdade é muito importante. Existe um sistema de leis forte, para garantir o anonimato de pessoas que não têm relação com crimes. Temos que equilibrar a tecnologia com a lei para não causar prejuízos aos dados pessoais", disse o cônsul britânico.

Além do Reino Unido, o sistema de reconhecimento público facial é utilizado pelo governo da China e recentemente despertou interesse do governador eleito do Rio, Wilson Witzel (PSC), que afirmou querer implantar algo semelhante, em grande escala, no estado.

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