Fiéis lotaram as dependências da Câmara de Vereadores na noite desta quarta-feira, mas decisão sobre obras só em janeiro  - Fábio Guimas/ A Voz da Cidade
Fiéis lotaram as dependências da Câmara de Vereadores na noite desta quarta-feira, mas decisão sobre obras só em janeiro Fábio Guimas/ A Voz da Cidade
Por O Dia
Publicado 20/12/2018 14:29 | Atualizado 20/12/2018 14:29

Rio - Somente em janeiro o Conselho Municipal de Cultura de Barra Mansa dará parecer sobre a polêmica reforma do altar da Paróquia de São Sebastião, de 1859, a principal da cidade no Sul do estado. Na noite desta quarta-feira, fiéis contra e a favor das obras lotaram a Câmara de Vereadores para discutirem o assunto. Fechado desde o final do mês passado, o templo só tem sido aberto para missas aos domingos, com tapetes sobre escombros da frente do altar semidestruído. Esta semana, católicos indignados enviarão aproximadamente mil assinaturas coletadas nas ruas e pela internet ao Papa Francisco, pedindo intervenção do Vaticano.

O projeto paroquial, com apoio da cúpula da Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda, prevê a construção de um outro painel gigante, com outro desenho, no altar, na frente do atual, ainda intacto. O antigo, de milenar arte árabe-portuguesa, em azulejos vitrificados, datado de meados do século passado, deverá custar mais de R$ 70 mil, embora a diocese não revele os custos oficialmente.

O bispo italiano Francisco Biasin., e o pároco, o croata Milan Knezovic, alegam que as obras, amplamente criticadas nas redes sociais, seriam para “readequar o altar à lei de acessibilidade”. Grupos de paroquianos e alguns padres da Congregação Verbo Divino, porém, acusam ambos de "implicarem com o desenho do antigo painel", supostamente por atribuírem a ele, "inspiração maçônica".

Em entrevista à TV Rio Sul, Biasin procurou desqualificar a importância do painel atual. "A Igreja já foi totalmente descaracterizada por várias reformas". argumentou. Também em entrevista à mesma emissora, o presidente do conselho, Marcelo Bravo, reforçou a intenção de a prefeitura intermediar o debate. "Há também a necessidade de se fazer um inventário da igreja", defendeu.

Raphael Amorin, de 45 anos, que disse frequentar a igreja desde criança, espera que "o bom senso prevaleça". "Ninguém, em sã consciência, pode aprovar uma reforma que infringe a lei de bombamento municipal (4.492/2015), com gastos exorbitantes, por mero capricho e interpretações equivocadas do significado do desenho antigo por duas pessoas apenas (referindo-se a Milan e Biasin)" , justificou. "Eu sou de acordo com a construção de outro painel. Não podemos ficar presos ao passado", opinou Maria José Cândido, de 49 anos, que também disse participar de missas na matriz desde a infância.

Conforme o DIA vem divulgando, as obras estão na mira do Ministério Público Estadual, através dos Direitos Difusos e Coletivos à Proteção de Patrimônios, a pedido de vários fiéis. Pelas redes sociais, os inconformados com a ideia, prometem até vigília permanente na igreja, na tentativa de impedir o andamento das obras, suspensas por enquanto. No dia 1º de dezembro, paroquianos contra o novo painel sacro, deram um abraço simbólico a matriz, mesmo sob chuva.

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