Calor impulsiona mortandade de peixes na Lagoa, diz biólogo Mario Moscatelli

A Comlurb retirou quase 14 toneladas de animais mortos do cartão-postal do Rio

Por Raimundo Aquino

Mortandade de peixes na Lagoa
Mortandade de peixes na Lagoa -

Rio - Uma cena nada agradável se repetiu na Lagoa Rodrigo de Freitas, nesta quinta-feira, e chocou quem ama o Rio e a natureza. Cartão-postal da cidade, o local registrou novo episódio de mortandade de peixes, cena que foi vista em diversos pontos do espelho d'água ao longo do dia. Os primeiros peixes começaram a aparecer mortos já pela manhã. De acordo com o biólogo Mario Moscatelli, o forte calor na cidade contribuiu para a tragédia ambiental. Porém, ainda segundo ele, este não foi o único fator do problema.

"Hoje eu caminhei pela Lagoa e, vendo os peixes mortos, parecia que eles estavam em banho-maria. A água estava quente, extremamente quente, e água quente não é muito bom, porque ela reduz a concentração de oxigênio", apontou o biólogo, já levantando que as causas desta nova mortandade é mais uma vez a falta de oxigênio para os peixes.

Mortandade de peixes na Lagoa - WhatsApp O DIA (21) 98762-8248

O biólogo afirma que, por causa de constantes despejos de esgoto in natura na Lagoa e o assoreamento do Canal do Jardim de Alah, que impede uma renovação da água do ambiente, a situação no cartão-postal não é nada animadora para os peixes.

"Durante o passeio, eu rapidamente localizei dois vazamentos de esgoto em frente à Rua Vinicius de Moraes e dentro do Canal Jardim de Alah. O Canal, inclusive, na altura da Delfim Moreira, está completamente entupido de areia. Com isso, a água que poderia estar sendo renovada, mesmo que em pequena quantidade, não está sendo", disse.

Comlurb recolhe peixes mortos na Lagoa - Divulgação / Comlurb

Calor dificulta concentração de oxigênio

O biólogo disse ainda que o calor, juntamente com a questão da pouca troca de água e o despejo de esgoto in natura, prejudica os peixes, já que a água quente não retém o oxigênio tanto quanto a água fria. Ele diz que já não existe oxigênio em abundância na Lagoa e que diante dessas questões (poluição e canal assoreado), a realidade tende a ser fatal para os peixes.

"Se você tivesse uma água mais gelada, você teria maior disponibilidade de oxigênio na coluna d'água", explica. "Desconsiderar a questão climática seria leviandade minha, mas o que estou falando é que nesse circo de horror chegou mais um monstro".

A Comlurb disse que ao longo de 10 horas de trabalho, de 8h às 18h, 90 garis e 10 agentes de limpeza urbana recolheram 13,6 toneladas de peixes mortos, principalmente da espécie savelhas. "O trabalho prossegue durante toda a madrugada e, se necessário, nesta sexta-feira, com uma equipe de 70 garis, até cessar a mortandade", informou.

O biólogo fez um vídeo da situação na Lagoa; assista!

Secretaria de Meio Ambiente

Procurada pelo DIA, a Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) afirmou que "a morte de peixes observada hoje é em decorrência da proliferação de cianobactérias e fitoplânctons, presentes no sensível ecossistema da Lagoa, que possuem ciclo de vida rápido, se proliferam com as altas temperaturas e ao morrer consomem oxigênio".

A nota diz também que os órgãos ambientais envolvidos no monitoramento da Lagoa estão em alerta desde a madrugada, quando se registrou tendência de diminuição de concentração de oxigênio na água.

A Seconserma enfatiza que a Fundação Rio-Águas está mantendo as comportas do Canal do Jardim de Alah abertas desde a ultima sexta e a da General Garzon aberta desde às 10h30 desta quinta para reduzir a temperatura da água e melhorar a oxigenação. "Contudo, a maré está baixa e a ausência de vento também não colabora para que ocorra a troca de água entre o mar e a lagoa", contrapõe.

A nota da Seconserma diz ainda que é importante frisar que abrir as comportas leva em consideração diversos fatores técnicos e climáticos e mantê-las abertas antes da data e horário mencionados acima poderia ocasionar o esvaziamento da Lagoa, já que as condições do mar não estão favorecendo a troca de água.

"Os órgãos da prefeitura citados acima envolvidos, junto com a Comlurb - que atua para retirar os peixes mortos - neste monitoramento seguem em alerta para minimizar ao máximo os impactos das condições climáticas e de maré a esse frágil ecossistema," finaliza.

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Cedae

Já a Cedae nega a informação de que exista vazamento da rede de esgoto da companhia na Lagoa. "Inclusive, em operação diária e nova verificação após a divulgação da informação incorreta, técnicos realizaram vistoria e constataram não haver extravasamento em sistema da companhia. O sistema de esgotamento sanitário da Cedae opera normalmente na região, inclusive, toda a área formal da Zona Sul é atendida por rede da empresa. Vale ressaltar que a manutenção e monitoramento de galerias de águas pluviais não são de responsabilidade da Cedae, assim como a renovação da água da Lagoa Rodrigo de Freitas", disse, em nota.

A companhia destaca também que é "observado um assoreamento no Canal do Jardim de Alah (na altura da ponta da praia), o que atrapalha a renovação da água da Lagoa, comprometendo a oxigenação da mesma, além das altas temperaturas que vem ocorrendo há vários dias. No entanto, este serviço não é realizado pela Cedae. Apesar de não ser uma atribuição da companhia, estão realizando coleta para verificar os principais parâmetros, principalmente o oxigênio dissolvido".

Comlurb recolhe peixes mortos na Lagoa - Divulgação / Comlurb
Comlurb recolhe peixes mortos na Lagoa - Divulgação / Comlurb

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Comlurb recolhe peixes mortos na Lagoa Divulgação / Comlurb
Comlurb recolhe peixes mortos na Lagoa Divulgação / Comlurb
Recolhimento começou na quinta Divulgação / Comlurb

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