Funcionários do Hospital Municipal Ronaldo Gazzola protestaram contra as demissões feitas pela Viva Rio, que não pagou os saláriosEstefan Radovicz / Agência O Dia
Por *Antonio Augusto Puga

Rio - Mais de mil profissionais do Hospital Municipal Ronaldo Gazzola, em Acari, foram demitidos na manhã desta sexta-feira. A medida preocupa milhares de pessoas que dependiam da unidade, que fazia em média 1.200 atendimentos e 900 internações. Alguns voltaram para casa sem consulta. "Minha médica foi demitida. O que vou fazer?", se indignou uma paciente.

A unidade que era administrada pela Organização Social (OS) Viva Rio será substituída pela Empresa Pública de Saúde (RioSaúde), que assume a gestão hoje. O hospital conta com 290 leitos, mas só seis estão ocupados.

Os profissionais não sabem quando receberão os salários de novembro, dezembro e a primeira parcela do 13º, que estão atrasados, nem os encargos trabalhistas. A enfermeira Paula Evangelista disse que não esperava a medida. "Foi uma surpresa para a maioria dos profissionais que foram chamados hoje (ontem), para assinar a rescisão. O pessoal da Viva Rio só comunicou que o hospital seria entregue vazio, sem funcionários. Não falaram dos salários. Ele alegam que a prefeitura não fez repasses", comentou.

Trabalhando no hospital há 10 anos, a fisioterapeuta Suzane Seiça estava indignada. "Não é justo. Trabalhamos mesmo com os salários atrasados, lidando com a falta de insumos e medicamentos. O hospital sempre foi subutilizado, tinha capacidade para 1.600 consultas ambulatoriais por mês. Era referência para as grávidas", lamentou.

Funcionário do hospital, o diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Alexandre Telles, também foi demitido. "Fomos chamados para assinar a rescisão. Mas não se falou sobre o pagamento. A OS não deposita o FGTS desde setembro. Tem dívida com o INSS de mais de R$ 800 mil. O sindicato irá tomar providências. São pessoas que se dedicaram, que trabalharam nas piores condições. O tomógrafo não funciona, por exemplo", revela o clínico.

A técnica em enfermagem Jaqueline Machado, mesmo grávida, foi demitida do hospital de Acari Estefan Radovicz / Agência O Dia

Cremerj cobra melhorias

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Sylvio Provenzano, a situação do Hospital Municipal Ronaldo Gazzola é preocupante. "O Cremerj vê com apreensão a situação em que se encontra aquela unidade. A substituição da OS pelo RioSaúde pode ser positiva, até porque o Viva Rio não vinha cumprindo com suas obrigações, inclusive com os profissionais", disse Provenzano.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que a rescisão e pendências trabalhistas é de responsabilidade da OS. A partir das 7h deste sábado, a RioSaúde assumirá a gestão da unidade, renovando os processos de trabalho e restabelecendo os serviços e as especialidades.

A organização social Viva Rio, que administra o hospital desde 2016. foi procurada, mas não se pronunciou.

TRE analisa ação do MP Eleitoral contra Crivella

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), analisa a Ação de Investigação Judicial Eleitoral impetrada pelo Procurador Regional Eleitoral, Sidney Madruga que pede a cassação e a inelegibilidade do prefeito Marcelo Crivella, por uso indevido da máquina pública e abuso do poder político.

A ação acusa Crivella de ter promovido o evento 'Café da Comunhão' onde utilizou a estrutura do município para atender o candidato a deputado federal Rubens Teixeira (PRB), oferecendo cirurgias de catarata e vasectomia sem a necessidade de entrar no Sistema de Regulação (Sisreg), bastando entrar em contato com sua assessora Márcia Nunes.

O prefeito Marcelo Crivella, em nota, considerou uma coisa absurda a decisão da Procuradoria Eleitoral de pedir sua cassação sob o argumento de uso indevido da máquina pública e abuso de poder político. "Não é a primeira vez e não será a última. É um absurdo", disse.

Festa só na base da vaquinha

A Congregação Espírita Umbandista do Brasil (CEUB) está arrecadando dinheiro para a realização da Festa de Iemanjá. A tradicional celebração na Praia de Copacabana tem meio século de história, e contava com a participação de cinco mil pessoas de vários terreiros. Pelo segundo Reveillón consecutivo, a Prefeitura do Rio não fará o repasse em torno de R$ 20 mil para o evento.

"É uma falta de respeito", afirma a presidente da CEUB, Fátima Dantas, que participa das homenagens desde a década de 60. Na época, o costume de vestir branco na virada se popularizou pelo rito dos devotos de Iemanjá.

"Iemanjá não é só uma religião, é um patrimônio cultural imaterial do povo brasileiro", concluiu Fátima.

Neste ano, a Secretaria de Desenvolvimento Social já afirmou que não tinha recursos suficientes para repassar para o evento. Para fazer doações à CEUB, acesse o site www.vakinha.com.br, faça o cadastro e pesquise '14º barco de Iemanjá'.

*Com o estagiário Felipe Rebouças

Você pode gostar

Comentários

Publicidade

Últimas notícias