Ivandi Assis Borges foi baleado na perna e chegou a ser levado para a UPA de Cabuçu, mas não resistiuDivulgação
Por RAFAEL NASCIMENTO

Rio - Um porteiro de 53 anos morreu vítima de bala perdida, no fim da tarde desta sexta-feira, no Conjunto da Marinha, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. De acordo com as primeiras informações, policiais do 20º BPM (Nova Iguaçu) faziam uma operação na Rua Curral Novo quando suspeitaram de três homens que estavam em uma rua próxima onde trabalhava Ivandi Assis Borges. Houve uma tentativa de abordagem e, em seguida, uma intensa troca de tiros antes da vítima ser atingida. Os criminosos fugiram. 

Seu Ivandi, mais conhecido como Índio, trabalhava há pelo menos dois anos como porteiro do prédio do Minha Casa Minha Vida, onde morava com a esposa. De segunda a sexta-feira, de 7h às 19h, o serviço era sua diversão, segundo uma filha de criação. "Ele havia ganhado o apartamento há três anos. Por ele ter cardiopatia, ele só conseguiu emprego ali, o que nos dava tranquilidade de saber que meu pai estava perto para qualquer emergência", lembra a copeira Geane Nogueira Imediato, de 40 anos.

Ontem, não foi diferente. O homem desceu do apartamento e seguiu o dia trabalhando. Faltando apenas duas horas para largar o serviço, por volta das 17h, ocorreu o confronto entre os PMs e bandidos. Ivandi foi atingido por apenas um disparo na perna, mas o projétil atravessou a veia femoral. Socorrido por vizinhos para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cabuçu, ele já chegou morto ao local. "Por morar há muito anos no bairro, os amigos socorreram ele. No entanto, o meu pai já chegou praticamente morto (na UPA). Não deu tempo dos médicos socorrerem ele", relembra Geane.

A esposa do porteiro, com quem era casado há mais de 30 anos, passou mal e precisou ser internada às pressas quando soube do que ocorrera. "A minha mãe está dopada e não está conseguindo falar. Ela está extremamente abalada", contou a filha de criação do porteiro.

Ocorrência de morte só foi registrada quase 20 horas depois

Um imbróglio entre a UPA de Cabuçu e a Polícia Militar fez com que a família só conseguisse registrar a morte de Ivandi Assis Borges às 12h deste sábado, na 52ª DP (Nova Iguaçu).

De acordo com os parentes, a PM não levou a ocorrência para a delegacia e a UPA não quis liberar o corpo do homem sem o registro. A família só ficou sabendo que a morte não havia sido informada à Polícia Civil por volta das 9h. Em seguida, deixaram a UPA e foram à distrital. Às 13h, o caso foi incluído no sistema da delegacia e o corpo do porteiro foi retirado da unidade de saúde por volta das 14h para ser levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu.

"Estamos desde a madrugada tentando informações sobre a ocorrência da morte do meu pai. Horas depois fomos comunicados dos procedimentos que precisávamos fazer. Nós registramos a morte, e vejo tudo isso como um descaso com a população", finaliza Geane. O corpo de Ivandi deverá ser enterrado na manhã deste domingo no Cemitério de Marapicu, em Nova Iguaçu.

O DIA procurou a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) e a PM para apurar mais detalhes da morte do porteiro. No entanto, ate a publicação desta reportagem, a corporação e instituição não haviam respondido. O espaço está aberto para manifestação. 

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