Caso Marielle terá equipe reforçada, segundo chefe do Departamento Geral de Homicídios

Após tomar posse, o delegado Antônio Ricardo Nunes disse que a investigação do assassinato da vereadora está avançada

Por Rafael Nascimento e Beatriz Perez

Diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), Antônio Ricardo Nunes, disse que investigação do assassinato de Marielle tem suspeitos e uma série de dados em análise
Diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), Antônio Ricardo Nunes, disse que investigação do assassinato de Marielle tem suspeitos e uma série de dados em análise -

Rio - A equipe que investiga o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes será reforçada. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo chefe do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), delegado Antônio Ricardo Nunes, durante cerimônia de sua posse. Nunes pediu ao secretário da Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, para que o delegado que investiga a execução, Giniton Lages, fosse mantido à frente da Delegacia de Homicídios da Capital (DH).

"O doutor Giniton ficará exclusivo neste caso. Vamos lotar mais delegados e agentes na DH", disse o chefe do departamento que substitui a Divisão de Homicídios.

Nunes disse que não pode prever prazo para a conclusão do inquérito, mas garantiu que o trabalho está avançado e a conclusão deve sair 'o quanto antes e com a maior riqueza de provas possível'. "A equipe que está à frente da investigação já me apresentou o trabalho. A investigação avançou muito. Nós temos suspeitos, uma série de dados em análise e não queremos concluir esta investigação com a menor margem de dúvidas para a defesa", declarou. 

No dia de sua posse, o delegado também anunciou mudanças nas investigações de homicídios no estado. 

Um georeferenciamento específico será usado no novo departamento para identificar criminosos que ordenam assassinatos.

De acordo com o delegado Antônio Ricardo Nunes, crimes que aconteceram em até 20 anos deverão ser revistos caso haja alguma suspeita que o inquérito teve interferência de agentes políticos ou por pessoas de fora. Inclusive crimes correlatos envolvendo a milícia e o crime organizado.

O DIA apurou que serão reabertos inquéritos de mortes como a do contraventor Haylton Carlos Gomes Escafura, 37 anos, filho do bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha, e da PM da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha Franciene Soares, de 27 anos, assassinados em junho de 2017 dentro do Hotel Transamerica, na Avenida Gastão Senges, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade.

A investigação do assassinato do ex-PM e presidente da Portela Marcos Falcon, morto com vários tiros em setembro de 2016, em Madureira, também será revista.

Além de serem responsabilizadas por homicídios, Nunes afirmou que as organizações criminosas, como milícias e de narcotraficantes, serão responderão por lavagem de dinheiro. "Iremos buscar os recursos financeiros destas quadrilhas, junto com o departamento de combate à corrupção e lavagem de dinheiro e do Poder Judiciário para retornar o valor à Polícia", disse. 

A investigação de crimes contra policiais também serão reforçadas, ressaltou Nunes. "Os líderes da organização criminosa envolvidas na morte de agentes de segurança também responderão", disse.

Antônio Ricardo está há 20 anos na Polícia Civil. O delegado já passou por delegacias como 11ª DP (Rocinha), 32ª DP (Taquara), 44ª DP (Inhaúma), e até o final do ano estava na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA).

ONU cobra, pela segunda vez, posicionamento de Brasil sobre assassinato de Marielle

Ontem, o jornal O Estado de São Paulo divulgou informações de que relatores da Organização das Nações Unidas (ONU) enviaram uma carta ao presidente da República Jair Bolsonaro cobrando dele respostas urgentes para esclarecer o assassinato de Marielle Franco (Psol). O assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, completou 301 dias sem que ninguém tenha sido detido.

Segundo a reportagem, o documento foi mantido sob total confidencialidade até o dia 31 de dezembro quando foi emitida. O documento chegou ao gabinete de Bolsonaro no dia 1º de janeiro. O jornal afirma que, apesar do sigilo, o material cobra explicações sobre o andamento das investigações e questiona o motivo que a Polícia Civil do Rio está em silêncio em relação aos resultados do inquérito.

Não é a primeira vez que inspetores da ONU pedem explicações sobre o crime. A psolista e seu motorista foram mortos no dia 14 de março de 2018, no Estácio, na Zona Norte do Rio. Oito dias após o crime, dez relatores da entidade internacional se uniram para emitir um manifesto duro às autoridades brasileiras, pedindo que a intervenção federal no Rio de Janeiro fosse repensada e exigindo respostas diante do assassinato de Marielle.

O DIA tentou contato com o Itamaraty e com a Polícia Civil, que ainda não responderam à reportagem. O Governo do Estado disse que quem deveria responder seria a Polícia Civil. 

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