Anistia Internacional cobra apuração imediata sobre 13 mortes no Fallet

Entidade de Direitos Humanos pede investigação rápida tanto da Polícia Civil quanto do Ministério Público do Rio (MPRJ). Anistia adverte que "o Estado do Rio de Janeiro tem um histórico de altos números de homicídios decorrentes de intervenção policial"

Por O Dia

Morador é abordado por PMs
Morador é abordado por PMs -

Rio - A Anistia Internacional cobrou rigor nas investigação das 13 mortes ocorridas durante operação policial na comunidade do Fallet, na Região Central do Rio, na última sexta-feira. Ela cobrou a apuração imediata tanto da Polícia Civil quanto do Ministério Público do Rio (MPRJ). A DH-Capital investiga a possível execução da maioria das vítimas em uma casa, após estarem rendidos.  

De acordo com a entidade, "a Polícia Militar alega que foi recebida a tiros ao entrar na região e que as mortes foram resultados de confronto. Entretanto, é apenas através de investigação imediata detalhada, imparcial e independente, que é possível determinar a circunstância exata de cada uma dessas mortes”.

A Anistia adverte que "o Estado do Rio de Janeiro tem um histórico de altos números de homicídios decorrentes de intervenção policial e os números aumentam a cada ano" e que os casos não são investigados e ninguém é responsabilizado.

Policiais militares tiveram armas apreendidas

Os policiais militares envolvidos no confronto foram ouvidos na Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, que investiga o caso. De acordo com a especializada, as armas dos PMs foram recolhidas e encaminhadas para a perícia.

A ação da PM nos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro e dos Prazeres, Catumbi contou com policiais dos batalhões de Operações Especiais (Bope) e do Choque (BPChq). De acordo com a Secretária Municipal de Saúde, treze homens deram entrada já mortos no Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. Na sexta-feira, um outro ferido estava internado na unidade.

Moradores contestaram a versão da corporação de houve confronto e que mortos foram encontrados caídos em vias da comunidade. Familiares alegam que cerca de 10 pessoas foram rendidas pela PM em uma casa e, mesmo após se entregar, parte delas teria sido morta pelos policiais.

Uma prima de Robson da Silva Pereira, um dos mortos na casa, disse que os PMs não aceitaram a rendição e entraram no imóvel já atirando. "A gente pediu para não fazerem isso, mas os policiais não atenderam. Eles entraram na casa e mataram os rapazes, inclusive meu primo, que não tinha envolvimento com o tráfico".

A mãe de outro condenou a ação dos policiais. "Eles não podem agir assim. Eles se renderam, não havia motivo para matar. A polícia serve para proteger as pessoas e não matar, como fizeram como meu filho", desabafou.

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