PF prende ex-secretário da Casa Civil do governo Cabral pela segunda vez

Régis Fichtner é alvo de investigação que apura pagamento de propinas envolvendo doleiros durante o tempo em que foi secretário

Por O Dia

Régis Fichtner foi preso em casa, na Barra da Tijuca
Régis Fichtner foi preso em casa, na Barra da Tijuca -

Rio - A Polícia Federal prendeu, na manhã desta sexta-feira, o ex-secretário da Casa Civil do governo Sérgio Cabral, Régis Fichtner. Foi a segunda vez que o advogado, que foi secretário de 2007 a 2014, foi preso em um desdobramento da Operação Lava Jato. A investigação da qual ele é alvo apura pagamentos de propinas envolvendo doleiros durante o tempo em que Fichtner foi chefe da Casa Civil estadual. O ex-secretário foi encontrado em casa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. 

O outro alvo da ação de hoje, que também foi preso, foi o tenente-coronel reformado da PM Fernando França Martins. Considerado o operador financeiro de Fichtner, o policial foi encontrado na Tijuca, na Zona Norte.

A operação também intimou Ana Lúcia Vieira, que até o início do ano foi assessora da Secretaria estadual da Casa Civil, a prestar esclarecimentos. A PF pretende ainda cumprir seis mandados de busca e apreensão nos endereços dos envolvidos.

O tenente-coronel reformado da PM Fernando França Martins - Severino Silva / Agência O Dia

Primeira prisão

Na primeira vez que foi preso, em novembro de 2017, na Operação C'est fini (é o fim, em francês), Fichtner ficou apenas uma semana na cadeia. Na ocasião, ele foi acusado de receber propina no valor de R$ 1,5 milhão, em pagamentos feitos até mesmo dentro do Palácio Guanabara, sede do governo estadual.

De acordo com a PF, as investigações do ano passado revelaram novas informações do caso, principalmente a identificação do tenente-coronel França, o "homem da mala" de Fichtner. O policial reformado seria o responsável por recolher parte da propina recebida pelo ex-secretário, de quem era de extrema confiança.

Depoimentos de testemunhas da operação apontaram França como "uma espécie de segurança" de Fichtner. A proximidade era tanta que na agenda do ex-secretário havia dados do CPF e RG do tenente-coronel. Entre 2014 e 2016, Fichtner transferiu cerca de R$ 725 mil para a conta bancária do PM.

Primeira prisão de Fichtner, em 2017 - Tânia Rêgo / Agência Brasil

Destruição de provas

A força-tarefa da Lava Jato no Rio diz que ainda existe um patrimônio ocultado pelo ex-secretário, além de indícios de sua atuação na destruição de provas. "A manutenção de Régis Fichtner solto permitiria a dilapidação patrimonial, lavagem e ocultação de bens fruto de práticas criminosas", argumentam os procuradores da Lava Jato.

Figura central na organização criminosa do ex-governador Sérgio Cabral, Fichtner teria recebido mais de R$ 1,5 milhão em propina durante sua atuação na secretaria. Como chefe da Casa Civil, "era o responsável por articular os atos de governo mais importantes, usando de sua habilidade jurídica para buscar saídas minimamente defensáveis (aos olhos daqueles que desconheciam os atos de corrupção e a verdadeira motivação do ato) para justificar por exemplo, alterações contratuais editais de licitação, benefícios fiscais ou mesmo a contratação de obras", detalham os procuradores.

Para o Ministério Público Federal (MPF), o ex-secretário tinha relacionamento bastante próximo a Cabral, ocupando cargo estratégico na administração estadual, a partir do qual pode ter efetuado diversas manobras em favor dos demais membros da organização criminosa, bem como dos corruptores.

Procurada pelo DIA, a Polícia Militar informou que o tenente-coronel Fernando França Martins está inativo desde 1999. "A Corregedoria Interna da Secretaria de Estado de Polícia Militar vai abrir um procedimento apuratório e também irá colaborar com todas as investigações até o esclarecimento dos fatos", disse, em nota.

Galeria de Fotos

Régis Fichtner foi preso em casa, na Barra da Tijuca Severino Silva / Agência O Dia
Primeira prisão de Fichtner, em 2017 Tânia Rêgo / Agência Brasil
França está fora da PM há 20 anos fotos de Severino Silva / Agência O Dia

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