Após ação da Prefeitura, passageiros continuam invadindo estações de BRT

Município estima que 74 mil pessoas entrem nos ônibus articulados sem pagar passagem

Por Maria Luisa de Melo e Antônio Puga

Após agentes de fiscalização saírem, passageiro se arriscou por porta lateral para não pagar passagem
Após agentes de fiscalização saírem, passageiro se arriscou por porta lateral para não pagar passagem -

Quase um mês após o prefeito Marcelo Crivella designar o interventor Luiz Alfredo Salomão para fiscalizar os três corredores exclusivos de ônibus da cidade, uma ação para coibir a desordem em algumas estações do corredor de BRT Transoeste, que liga a Barra da Tijuca à Santa Cruz, foi realizada nesta segunda-feira (24). Apesar da apreensão de mercadorias, réplicas de armamento, duas prisões e multa a 11 passageiros que insistiram em não pagar passagem, as irregularidades continuaram depois da operação. Para repreender as ilegalidades, o município já estuda colocar a PM nas estações.

Logo após a ação da prefeitura, das 16h30 às 17h, O DIA percorreu parte do trajeto do Transoeste e flagrou vários passageiros dando calote. Em apenas meia hora, nove irregularidades foram constatadas de pessoas que ignoraram a roleta das estações e entraram na área de embarque e desembarque, pelas portas automáticas laterais. O Consórcio BRT estima que, por dia, 74 mil passageiros invadem as estações. Os camelôs, no entanto, sumiram entre as estações da Alvorada e Pontal.

A principal solução apresentada para o problema, conforme anunciou nesta segunda o interventor Luiz Salomão, será a contratação de PMs por meio de Programa Estadual de Integração da Segurança (Proeis) — trabalho extra realizado durante a folga, para órgãos conveniados com a corporação. A medida, porém, ainda não tem data para começar.

"As áreas que não oferecem risco de vida aos agentes ficarão com a Guarda Municipal, que é desarmada. As demais, com a PM. Não vão só defender o patrimônio como coibir irregularidades. Ainda estamos fazendo levantamento sobre quantos agentes seriam necessários", explicou ele, referindo-se ao trecho entre o Túnel da Grota Funda e Santa Cruz como o mais crítico do corredor.

O interventor não soube precisar o número de agentes necessários para dar fim à desordem, nem se a conta da contratação de horas extras dos agentes será paga pela Prefeitura ou pelo consórcio operador dos BRTs.

Questionado sobre a necessidade de estender ações deste tipo ao longo de todo o corredor e não só em trecho, Salomão explicou que a ação de ontem foi "experimental" e será retomada após o Carnaval.

Com as estações lotadas, passageiros que notaram a equipe do DIA aproveitaram para pedir melhorias no corredor. "Não tem ônibus", gritou uma mulher. A denúncia foi confirmada por um fiscal da prefeitura em coletiva de imprensa ontem. De três garagens visitadas, 39 ônibus articulados foram encontrados sem condições de circular.

Para o corredor Transbrasil, que deverá ligar Deodoro ao Centro já no segundo semestre deste ano, o interventor recomendou que o prefeito faça uma nova licitação e não entregue a operação ao mesmo consórcio que já opera as outras três vias de corredor expresso.

"Uma legislação de 2010 fixou que era dever dos consórcios operar os BRTs. Na época, não houve licitação, foi uma dádiva. Isso não pode continuar".

REPAVIMENTAÇÃO

Além da fiscalização para impedir a entrada de passageiros não-pagantes, outro problema que começou a ser enfrentado pela Prefeitura diz respeito à pavimentação da calha por onde circulam os ônibus articulados. Desde o último sábado (23), a Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente, iniciou um trabalho de fresagem e recapeamento de 8,5 quilômetros, divididos em nove trechos mais críticos.

O primeiro tem 280 metros, na Estação Salvador Allende. Ao todo, essa "raspagem" do asfalto e colocação de nova cobertura custará R$ 7 milhões. O montante será pago pela RioÔnibus. Mas, até agora, só um sétimo do valor foi depositado nos cofres municipais.

 

 

CAMELÓDROMOS ESPALHADOS NA TRANSCARIOCA

Quando o sistema BRT entrou em atividade, em junho de 2012, a promessa era um transporte rápido, de qualidade e com conforto para os passageiros, mas o que se vê pelas estações é um verdadeiro camelódromo.No corredor Transcarioca, que liga a Barra da Tijuca até o Aeroporto Internacional do Galeão, O DIA flagrou ambulantes circulando livremente.

Sob o olhar complacente dos funcionários, camelôs instalaram bancas no interior das estações e em seus acessos, onde é possível comprar até roupas, como no Tanque. A desordem continua na Antônio Teles, no Campinho, onde um morador de rua utiliza uma das entradas como casa. A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que uma equipe tentou levá-lo para um abrigo, mas ele não aceitou. Uma nova abordagem será feita nesta semana.

Tem horas que me sinto em um trem da Supervia, onde a todo instante tem alguém vendendo alguma coisa. Acho um absurdo várias estações terem se transformado em ponto de vendas de biscoitos, refrigerante ou água. Entendo que as pessoas precisam trabalhar, mas eles são ilegais", reclamou o funcionário público Humberto dos Santos, de 35 anos.

Na estação Praça Seca, caixas de biscoitos ficam empilhadas ao lado das máquinas de recarga. A reposição do estoque é feita pela porta de embarque e desembarque que estão sempre abertas.Segundo um dos vendedores que não quis se identificar, a fiscalização é rara. "Como estou desempregado também resolvi entrar no 'negócio', sempre levo algum dinheiro para casa".

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