Nova prisão preventiva para acusados da morte de Marielle

Lessa e Élcio já respondem por associação criminosa. Morador de casa com 117 fuzis também está preso

Por ADRIANA CRUZ

Considerado de alta periculosidade, o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa (E) permaneceu algemado na audiência de custódia
Considerado de alta periculosidade, o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa (E) permaneceu algemado na audiência de custódia -

A juíza Amanda Azevedo Ribeiro decretou, , durante audiência de custódia, em Benfica, ontem nova prisão preventiva do PM reformado Ronnie Lessa e do ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, acusados dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Lessa é apontado como o atirador e Queiroz, como o motorista da emboscada. Além deles, Alexandre Motta teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela magistrada porque a polícia encontrou peças para a montagem de 117 fuzis na casa dele durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, terça-feira. Motta e Lessa responderão também por porte ilegal de arma e munição de uso restrito e comércio ilegal de armas. Já Queiroz porte ilegal de arma e munição de uso restrito.

Na decisão, a juíza ressaltou que Lessa e Queiroz já respondem ainda por associação criminosa. "O custodiado ostenta anotação de processo em curso pela prática de organização criminosa, o que ratifica sua periculosidade", escreveu a magistrada na decisão de Queiroz. No dia de sua prisão, o ex-PM também tentou fugir. Na casa dele foram localizadas duas pistolas e munições de fuzil dentro do guarda roupa e em seu carro. A defesa de Queiroz alegou que o material bélico era para uso pessoal.

LESSA ASSUME ARMAS

Durante o depoimento, Lessa assumiu ser o dono das 117 réplicas de fuzil e 360 munições encontradas na casa de Alexandre Motta.

Motta revelou que é amigo de infância de Lessa há 20 anos e emprestou seu nome para que ele comprasse uma lancha, avaliada em R$ 600 mil, apreendida pela Delegacia de Homicídios no Condomínio Porto Galo, em Angra dos Reis. A juíza determinou ainda que Lessa receba atendimento médico por causa de uma prótese na perna esquerda e também por ser hipertenso. Em 2009, o PM perdeu o membro após explosão no seu carro, uma caminhonete Hilux blindada, em Bento Ribeiro. À época, ele fazia a segurança do bicheiro Rogério de Andrade.

A magistrada também entendeu que Motta também precisa de cuidados especiais de saúde por ser diabético e hipertenso. Os suspeitos pela execução da vereadora e Motta saíram da Delegacia de Homicídios da Capital, na Barra, no fim da manhã ontem. Primeiro, eles passaram no IML para fazer exame e corpo de delito e depois seguiram para a Cadeia Pública, em Benfica.

Apenas Motta deu entrada no Sistema Penitenciário. Lessa e Queiroz voltaram para a delegacia onde vão prestar depoimento hoje sobre os assassinatos de Marielle e Anderson.

Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz serão transferidos para um presídio federal. O pedido do Ministério Público já foi autorizado pelo juiz Gustavo Gomes Kalil, do 4º Tribunal do Júri. A medida é para impedir que os dois, que têm muitos contatos policiais, fiquem isolados. A unidade será definida pelo Departamento Penitenciário Nacional.

Os dois são tratados como presos de alta periculosidade tanto que ontem na audiência de custódia foram obrigados a ficar algemados. Lessa enquanto esteve na ativa foi cedido pela Polícia Militar a várias delegacias, entre elas a Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), extinta em 2011.

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