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Imagens de projeto de painel de paróquia em Barra Mansa vazam e causam mais polêmica

Fiéis usam redes sociais para criticar equipamento móvel, que vai encobrir o atual, de milenar arte árabe-portuguesa

Por FRANCISCO EDSON ALVES

Rio - Imagens obtidas pelo DIA, que passaram a circular em grupos de Whatsapp de católicos de Barra Mansa, no Sul do estado, alusivas à polêmica reforma do altar da Igreja Matriz de São Sebastião (de 1859), no Centro da cidade, reascenderam a fúria dos fiéis locais. Uma animação, de apenas oito segundos, mostra que uma nova proposta da Cúpula da igreja da região, quer agora construir um painel móvel. A intenção seria preservar o atual, de milenar arte árabe-portuguesa, em azulejos vitrificados, datado de meados do século passado. Com apoio de alguns padres da Congregação Verbo Divino, paroquianos defendem a manutenção do painel já existente.

“A nova ideia é de jerico, pois vai encobrir totalmente a arte já existente e que está intacta, em ótimas condições estruturais”, critica João Batista da Silva, de 54 anos, que frequenta a igreja há 40 anos. “Já mandamos carta com quase mil abaixo-assinados para o Papa Francisco e agora vamos apelar ao Ministério Público, para que essa aberração e desperdícios de dinheiro seja barrada”, adiantou Jeanice Paiva, 36.

A proposta do equipamento móvel deverá ser apresentada na próxima reunião do Conselho Municipal de Cultura de Barra Mansa, que acompanha o caso, na próxima sexta-feira, às 9h, no Palácio Barão de Guapy, no Centro. “Vamos lotar a sede do conselho para demonstrar nossa indignação. É preciso dar um basta nessa situação. Querem nos enganar com esse novo painel”, adiantou Jeanice. O Conselho de Cultura não comentou o assunto nesta segunda-feira.

O projeto paroquial, com apoio da cúpula da Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda, prevê a construção de um outro painel gigante, com outro desenho, no altar, na frente do atual. No final do ano passado, o DIA mostrou, também com imagens exclusivas, que parte do altar tinha começado a ser colocada ao chão, com a derrubada de divisórias de mármore.

O bispo italiano Francisco Biasin., e o pároco, o croata Milan Knezovic, alegam que as obras, amplamente criticadas nas redes sociais, seriam para “readequar o altar à lei de acessibilidade”. Ambos nunca retornaram emails enviados pelo DIA, pedindo detalhes do projeto e custos. Grupos de paroquianos e alguns padres da Congregação Verbo Divino, porém, acusam ambos de "implicarem com o desenho do antigo painel", supostamente por atribuírem a ele, "inspiração maçônica".

Em entrevista à TV Rio Sul, Biasin procurou desqualificar a importância do painel atual. "A Igreja já foi totalmente descaracterizada por várias reformas". argumentou. Também em entrevista à mesma emissora, o presidente do conselho, Marcelo Bravo, reforçou a intenção de a prefeitura intermediar o debate, e da necessidade de se fazer um inventário da igreja.

Conforme o DIA vem divulgando, as obras estão na mira do Ministério Público Estadual, através dos Direitos Difusos e Coletivos à Proteção de Patrimônios, a pedido de vários fiéis. Pelas redes sociais, os inconformados com a ideia, prometem até vigília permanente na igreja, na tentativa de impedir o andamento das obras, suspensas desde que a polêmica veio a púbico. No dia 1º de dezembro, paroquianos deram um abraço simbólico a matriz.

O advogado Ricardo Maciel, sustenta que a paróquia cometeu infração grave, ao desrespeitar a Lei 4.492/2015 (de autoria do ex-vereador Ivan Marcelino de Campos, e assinada pelo vereador Marcelo Cabeleireiro, eleito deputado estadual pelo DC), que tombou a matriz como Patrimônio Municipal Histórico e Cultural. “Não tenho dúvida disso".

Em nota, a Prefeitura de Barra Mansa informou que "não compete à administração municipal interferir nos assuntos relacionados aos conselhos populares". "Assim sendo, o Conselho Municipal de Cultura tem total autonomia para dirimir sobre questões relacionadas às suas atribuições, como o cuidado, o tratamento, a discussão, a análise, o procedimento e a decisão de qualquer assunto referente a patrimônios culturais, conforme a Lei nº 4.602/2016".

 

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