BRT: solução passageira contra calote

Retirada de beiral em estação para conter infrações gera queixa de passageiros

Por Antonio Augusto Puga

Obra que retira beiral começou há uma semana no Mato Alto. Ideia é ampliar a medida para outras estações
Obra que retira beiral começou há uma semana no Mato Alto. Ideia é ampliar a medida para outras estações -

Rio - Uma medida, ainda em caráter de testes, para deter calotes no BRT, tem causado mais um impasse entre o consórcio e a intervenção do sistema pela prefeitura, e gerado críticas nos passageiros e especialistas. Desde a semana passada, o município tem retirado o beiral da plataforma do Mato Alto, em Guaratiba, aumentando a distância entre o ônibus e a estação. A previsão é ampliar a obra para outras estações de grande movimento.

O aposentado Charles Roy, que três vezes na semana faz tratamento na Rede Sarah, na Barra da Tijuca, condenou o projeto. "Se eu já tinha dificuldade em embarcar no ônibus devido ao uso de muleta, imagina agora com um espaço maior. Corro o risco de acontecer um acidente comigo no embarque ou no desembarque".

Para o especialista em medicina do trânsito, Fernando Moreira, a alteração causa preocupação por afetar cadeirantes, pessoas com dificuldade de mobilidade, pessoas com crianças e idosos. "Não há como negar o quanto o BRT facilitou o transporte das pessoas, mas quando acontecem modificações nas estações que possam dificultar o acesso é preocupante".

Para a dona de casa Aida Iguatemy, moradora de Guaratiba, a alteração na plataforma pode virar um problema sério. "Mesmo com o beiral quase machuquei seriamente meu pé. Se aumentarem a distância vai ficar muito difícil, até porque as pessoas não respeitam os idosos em momento algum. Sem contar que os ônibus vivem superlotados e na maioria deles o ar-condicionado não funciona".

O engenheiro e coordenador de Segurança do Crea-RJ, Jaques Sherique, explica que a existência do beiral na plataforma tem a função de aproximar o veículo do passageiro, sem colocá-lo em risco. "A distância máxima entre a plataforma de embarque do ônibus deve ser de 20 centímetros. Acima disso, o passageiro estará correndo risco, principalmente pela pressão que sofre na hora entrar ou sair do transporte".

Divergências

Desde o início da obra no Mato Alto, na semana passada, passageiros estão usando outra plataforma para embarque e desembarque. Segundo a comissão de intervenção da prefeitura no sistema BRT, o projeto piloto de retirada dos beirais foi planejado para estações de grande movimento e visa combater o calote que acontece nas estações, onde mais de 70 mil pessoas deixam de pagar passagem todo dia.

Mas, segundo o consórcio BRT, que administrava o sistema antes da intervenção, a retirada do beiral é "um desrespeito com a população". Em nota, o consórcio alega que medidas como essa não resolvem o problema, geram gastos públicos desnecessários e podem colocar em risco a integridade dos usuários.

Em relação à existência de um vão entre a estação e o ônibus, a intervenção informa que isso não acontecerá, pois foi levado em conta a segurança do passageiro. Sobre a superlotação, o sistema BRT disse que opera com cerca de dois terços do planejado. São 250 ônibus por dia, contra uma previsão de 420.

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