Corpo de militar brasileiro congelado fica nos EUA

STJ autoriza continuidade de criogenia à espera de uma possível ressurreição

Por ADRIANA CRUZ

Rio - O corpo do militar Luiz Felippe Dias de Andrade Monteiro, o primeiro brasileiro congelado, vai continuar nos Estados Unidos. O procedimento chamado de criogenia preserva o cadáver em temperaturas extremamente baixas para que, se houver possibilidade, um dia ele possa ser ressuscitado. A decisão inédita, por unanimidade, foi da 3ª Turma do Tribunal Superior de Justiça.

A batalha judicial começou em 2012 no Tribunal de Justiça do Rio. Como O DIA acompanhou à época, enquanto as filhas do primeiro casamento, Carmem Silvia Monteiro Trois e Denise Nazar Bastos Monteiro, queriam que o pai fosse sepultado no Rio Grande do Sul, Ligia Cristina de Mello Monteiro, filha da segunda união do militar, lutava para que o pai ficasse congelado.

"Na falta de manifestação expressa deixada pelo indivíduo em vida acerca da destinação de seu corpo após a morte, presume-se que sua vontade seja aquela apresentada por seus familiares mais próximos", afirmou ministro Marco Aurélio Bellizze.

O corpo do militar está nos Estados Unidos desde 2012, quando uma decisão do Tribunal de Justiça permitiu o translado para o exterior. Foi levado para o Instituto de Criogenia de Michigan. De acordo com Belizze, além de não haver norma que proíba a submissão de corpos à criogenia, não há ofensa à moral ou aos bons costumes, já que não há a transformação do corpo em uma espécie de "patrimônio".

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