Sem radioterapia, pacientes do Hospital do Fundão têm tratamento ameaçado

Problema na climatização da unidade impede uso de máquina, afetando cerca de 60 doentes oncológicos por dia

Por Maria Luisa de Melo

 Marciete Gomes, de 45 anos, sofre sem  radioterapia
Marciete Gomes, de 45 anos, sofre sem radioterapia -

 Rio - Como se já não bastasse a árdua batalha da luta contra o câncer, pacientes oncológicos do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ) têm um obstáculo extra: não conseguem dar prosseguimento ao tratamento por falta de radioterapia. Ali, cerca de 60 pessoas eram atendidas por dia, quando o atendimento estava normalizado.

Desesperada, a dona de casa Marciete de Lima Ferreira Gomes, de 45 anos, é uma das prejudicadas. Ela terminou as sessões de quimioterapia em outubro do ano passado, na tentativa de combater um câncer de mama. Em novembro, fez uma cirurgia para retirada do tumor. E, desde então, luta para dar início às sessões de radioterapia. Até agora, sem sucesso.

"Pelas informações que recebi dos próprios médicos, a radioterapia deveria começar no máximo quatro meses depois da quimioterapia. E eu já extrapolei este prazo. Quanto mais demora, menores são as minhas chances de êxito no tratamento. É a minha vida que está em jogo. Não posso perder tempo", reclama a moradora de Bangu.

"Meu maior medo é regredir no tratamento que já fiz. Não estou tomando nenhum remédio e sinto meu braço muito dolorido. Precisamos de uma solução o quanto antes. Senão, há chances de eu ter que voltar a fazer quimioterapia novamente por conta do atraso na radioterapia", cobra.

Curiosamente, o problema não está no equipamento usado nas sessões de radioterapia, mas sim na climatização da sala onde o aparelho é usado. Sem a temperatura adequada na sala, há chance até do paciente ser queimado, segundo explicam funcionários.

Segundo a assessoria do próprio hospital, o problema perdura desde o dia 21 de fevereiro, mas está prestes a ser resolvido. "A situação é momentânea e a refrigeração da sala já está funcionando. Porém é necessário que a climatização atinja um nível seguro para ligar o equipamento", diz trecho de nota.

Questionados sobre a demora no reparo da climatização e no remanejamento dos pacientes para outras unidades, a assessoria da unidade informou que a demora no conserto "se deu por ineficiência da empresa responsável pela manutenção", que acabou substituída por uma segunda. A empresa substituta já teria atendido a demanda. A promessa é de que os atendimentos sejam retomados na próxima segunda (1). A assessoria alega ainda que "os casos mais graves foram direcionados para outras unidades".

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Sem radioterapia, pacientes do Hospital do Fundão têm tratamento ameaçado O Dia - Rio de Janeiro

Sem radioterapia, pacientes do Hospital do Fundão têm tratamento ameaçado

Problema na climatização da unidade impede uso de máquina, afetando cerca de 60 doentes oncológicos por dia

Por Maria Luisa de Melo

 Marciete Gomes, de 45 anos, sofre sem  radioterapia
Marciete Gomes, de 45 anos, sofre sem radioterapia -

 Rio - Como se já não bastasse a árdua batalha da luta contra o câncer, pacientes oncológicos do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ) têm um obstáculo extra: não conseguem dar prosseguimento ao tratamento por falta de radioterapia. Ali, cerca de 60 pessoas eram atendidas por dia, quando o atendimento estava normalizado.

Desesperada, a dona de casa Marciete de Lima Ferreira Gomes, de 45 anos, é uma das prejudicadas. Ela terminou as sessões de quimioterapia em outubro do ano passado, na tentativa de combater um câncer de mama. Em novembro, fez uma cirurgia para retirada do tumor. E, desde então, luta para dar início às sessões de radioterapia. Até agora, sem sucesso.

"Pelas informações que recebi dos próprios médicos, a radioterapia deveria começar no máximo quatro meses depois da quimioterapia. E eu já extrapolei este prazo. Quanto mais demora, menores são as minhas chances de êxito no tratamento. É a minha vida que está em jogo. Não posso perder tempo", reclama a moradora de Bangu.

"Meu maior medo é regredir no tratamento que já fiz. Não estou tomando nenhum remédio e sinto meu braço muito dolorido. Precisamos de uma solução o quanto antes. Senão, há chances de eu ter que voltar a fazer quimioterapia novamente por conta do atraso na radioterapia", cobra.

Curiosamente, o problema não está no equipamento usado nas sessões de radioterapia, mas sim na climatização da sala onde o aparelho é usado. Sem a temperatura adequada na sala, há chance até do paciente ser queimado, segundo explicam funcionários.

Segundo a assessoria do próprio hospital, o problema perdura desde o dia 21 de fevereiro, mas está prestes a ser resolvido. "A situação é momentânea e a refrigeração da sala já está funcionando. Porém é necessário que a climatização atinja um nível seguro para ligar o equipamento", diz trecho de nota.

Questionados sobre a demora no reparo da climatização e no remanejamento dos pacientes para outras unidades, a assessoria da unidade informou que a demora no conserto "se deu por ineficiência da empresa responsável pela manutenção", que acabou substituída por uma segunda. A empresa substituta já teria atendido a demanda. A promessa é de que os atendimentos sejam retomados na próxima segunda (1). A assessoria alega ainda que "os casos mais graves foram direcionados para outras unidades".

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