Presos na segunda fase da Operação Quarto Elemento começam a ser julgados

Organização criminosa com 48 integrantes tem entre seus membros o policial civil, Rafael Pulgão, considerado chefe da milícia de Bangu

Por O Dia

Agentes da Polícia Civil após ação conjunta com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ
Agentes da Polícia Civil após ação conjunta com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ -

Rio - O policial civil apontado como chefe da milícia de Bangu, Rafael Pulgão, e outras 47 pessoas presas na 2ª fase da Operação Quarto Elemento começaram a ser julgadas nesta segunda-feira. A lista de presos preventivamente inclui delegados, policiais civis e militares, bombeiros, agentes penitenciários e informantes. O grupo, que atuava em várias regiões do Rio, é acusado de organização criminosa, corrupção, usurpação de função pública, concussão e peculato e extorsão.

A denúncia contra o bando, apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), em parceria com a Corregedoria Geral (CGPOL), no fim de fevereiro, tem entre os réus o policial civil Rafael Pugão, chefe da milícia de Bangu, na Zona Oeste, o delegado Rodrigo Santoro, os PMs gêmeos Alex e Alan, ex-seguranças e ex-assessores do senador Flávio Bolsonaro, além de outros 30 policiais. 

Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de janeiro (TJRJ), nesta segunda, foram ouvidas duas testemunhas de acusação. Ao todo, 78 testemunhas de acusação serão ouvidas até o a próxima segunda , dia 9. Posteriormente, serão designadas datas para as testemunhas de defesa e o interrogatório dos acusados.

Dois informantes ouvidos pelos investigadores durante o processo de elaboração da denúncia contra a organização criminosa foram mortos ou desapareceram. São eles: Fabrício Henrique Correia Bittencourt e Celso Marques de Oliveira Junior, o primeiro foi assassinado e o segundo desapareceu.

Segundo a denúncia, o grupo que será julgado atuava em investigações para encontrar criminosos e exigiam dinheiro para não realizarem as prisões. Além disso, os policiais também tomavam armas, produtos e mercadorias como pagamento. A ação criminosa era coordenada por um setor chamado de "Administração", que era chefiado pelos delegados Rodrigo Santoro, da 36ª, e Delmo Fernandes, ex-chefe do Grupo de Investigação Continuada (GIC).

Na mesma operação, porém na terceira fase, também foram presos o Zinho, chefe de uma das maiores milícias do Brasil, e Flávio Pacca, consultor de segurança pública do atual governador do Rio, Wilson Witzel.