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Milicianos da Praça Seca criaram esquema de 'boletos' para cobrar por segurança

Taxa solicitada por paramilitares seria de R$ 70 reais por casa nas comunidades da região

Por Lucas Cardoso

Boleto do crime tem informações para identificar responsável por cada imóvel
Boleto do crime tem informações para identificar responsável por cada imóvel -

Rio - A segurança de quem mora na região da Praça Seca agora tem preço fixo: R$ 70. Há pelo menos dois meses, milicianos vem cobrando a taxa de moradores de comunidades e, também, do asfalto de Jacarepaguá, na Zona Oeste. Segundo relatos, o grupo paramilitar realiza a cobrança em duas etapas: primeiro passa com o nota de pagamento e, em seguida, retorna para cobrar o valor. A visita para o recebimento é sempre feita durante a noite por milicianos armados.

"Nós não temos mais sossego. É gás, é internet e agora é isso. Eles vem com fuzil e falam o seu nome. Não te ameaçam diretamente, mas deixam implícito o que pode acontecer se você se rejeitar a pagar. Conheço várias pessoas que 'abandonaram' suas casas por causa dos milicianos", comenta um morador ao DIA, que preferiu não se identificar.

No registro do comprovante que circula pelas redes sociais, aparece o nome do proprietário do imóvel, endereço, valor e o mês de cobrança. De acordo com relatos, alguns comerciantes chegam a pagar taxas R$ 6 mil para manter seu negócio funcionando. "Tem gente que não está conseguindo manter o seu negócio. Com um fluxo de clientes na região só caindo, isso se torna ainda mais absurdo", comenta outro morador.

Hoje, o grupo paramilitar que disputa o comando de mais áreas com o tráfico já controla as comunidades do Morro do Barão, Chacrinha, Campinho, Fubá e Jordão. Nos últimos dois dias, o conflito entre os dois grupos de criminosos vem se intensificando nas comunidades da Praça Seca e região.

Segundo relatos das redes sociais, os Milicianos teriam recebido ajuda de lideranças de outras comunidades dominadas por traficantes do Terceiro Comando com intuito de tomar o poder dos morros do Divino, Menezes, Covanca e Bateau Mouche. O reforço teria sido de 50 homens. 

Em entrevista coletiva, o governador Wilson Witzel afirmou, nesta quinta-feira, que pretende ocupar algumas comunidades da Praça Seca. A declaração dele ocorreu durante a solenidade realizada na Cidade da Polícia, no Jacaré. "Ali não é simplesmente a questão da milícia. Ali tem a milícia disputando espaço com o tráfico. Esses terroristas dominam aquela região e dificultam o trabalho da polícia. Estamos agindo para fazer um cerco e realizar prisões, com intuito de iniciar uma ocupação. Nós não abandonamos o projeto das UPPs. Não será um trabalho fácil, mas vamos atuar nessa área com mais força", explica.

Violência no bairro

Segundo um relatório gerado pelo aplicativo Fogo Cruzado, a Praça Seca foi o bairro do Rio que mais registrou tiroteios em março. Foram, ao todo, 46 ocorrências, o que corresponde a 10% dos registros da Grande Rio.

 

 

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