Quadrilha usava operadora de planos de saúde para lavar dinheiro público desviado

Medical Rio foi usada em esquema que movimentou mais de R$ 20 milhões

Por O Dia

O patologista Luiz Teixeira da Silva Junior e a esposa Liliane Bernardo Rios da Silva foram encontrados em um luxuoso apart hotel em São Paulo
O patologista Luiz Teixeira da Silva Junior e a esposa Liliane Bernardo Rios da Silva foram encontrados em um luxuoso apart hotel em São Paulo -

Rio - A Polícia Civil realiza, na manhã desta segunda-feira, uma operação contra um quadrilha responsável por um esquema interestadual de lavagem de dinheiro de desvios de recursos da saúde pública. Na Operação Pégaso, como foi denominada, as polícias civis do Rio e de São Paulo pretendem cumprir oito mandados de prisão e 14 de busca e apreensão.

O grupo alvo atua em pelo menos quatro cidades do interior de São Paulo e é investigado na compra da operadora de planos de saúde Medical Rio, empresa com abrangência nacional sediada em Niterói, na Região Metropolitana fluminense.

A operação reúne 60 policiais e acontece em Niterói e nas cidades paulistas de São José dos Campos, Mairiporã, Jandira, Jundiaí, Osasco e São Paulo.

Dentre os alvos, foram presos o patologista clínico Luiz Teixeira da Silva Junior, de 39 anos, e a esposa Liliane Bernardo Rios da Silva, 37. Os dois estavam hospedados em um luxuoso apart hotel em São José dos Campos. Eles eram procurados pela Polícia Federal, acusados de desviar mais de R$ 20 milhões da saúde pública em Cajamar, São Roque, Barueri e Campo Limpo, todas no interior de São Paulo.

De acordo com as investigações da 78ª DP (Fonseca), Luiz e Liliane ocupavam cargos de direção na Fenaesc (Federação Nacional das Entidades Sociais e Comunitárias) e usavam a organização social que administrava diversos hospitais no interior paulista para desviar a quantia milionária que foi investida na compra da operadora de planos de saúde em Niterói. Os agentes descobriram que para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas transações financeiras, o casal utilizava a empregada doméstica e o motorista da família como laranjas.

Os policiais civis descobriram também que Luiz sacava constantemente valores da Medical Rio, fazendo a emissão de notas fiscais frias de prestação de serviços, em benefício da empresa de fachada Pratice Administradora de Cartões LTDA, sediada em Mairiporã, no endereço da associação comercial da cidade. Essas operações falsas permitiam a volta do dinheiro para Luiz, afastando-o da origem criminosa.

A diretora financeira da Medical Rio, Andreia de Lima Pereira, 48, foi presa em um prédio de alto padrão em Icaraí, bairro nobre de Niterói. Em Itaipu, os policiais prenderam a gerente comercial da empresa, Ana Claudia de Assis Toledo, 46.

Em São Paulo foram presos Carlos Celestino Pacheco da Silva, ex-funcionário da Agencia Nacional de Saúde (ANS), encontrado em Jundiaí; o bacharel em medicina Marcos da Silva Barros, 44, preso em Mairiporã; o casal Douglas Fernando de Moura Silva, 29, e Tamires Silva Costa de Moura, 29, em Osasco; e Maria Ires da Costa Alves, 33, presa na mansão de Luiz e Liliane, no Morumbi.

Maria Ires, que trabalha como empregada doméstica do casal, e Douglas, o motorista da família, figuravam como proprietários da empresa Medical Rio e ganhavam um pró-labore para servirem de laranjas na empresa.

Na ação de hoje os agentes fazem ainda o levantamento do patrimônio dos envolvidos no esquema criminoso para identificar os bens adquiridos com dinheiro de origem criminosa para um possível sequestro judicial de bens.

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