Catador baleado em ação no Exército é operado

Apesar de decisão judicial, vítima, que está em estado grave, não pode ser transferida

Por MARIA INEZ MAGALHÃES

Daiane está sendo assistida pela ONG Rio de Paz
Daiane está sendo assistida pela ONG Rio de Paz -

Rii - Luciano Macedo, de 28 anos, o catador de rua baleado pelo Exército, em Guadalupe, foi submetido a uma traqueostomia e uma cirurgia no pulmão nesta quarta-feira, no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, Zona Norte do Rio. A intervenção foi para retirar secreção dos pulmões e colocar dois drenos.  Devido ao quadro grave de saúde, a equipe médica atestou que Luciano não pode ser removido da unidade, apesar da decisão judicial determinando que ele seja encaminhado ao Hospital Moacyr do Carmo, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, como O DIA revelou nesta terça-feira.

Na tarde desta quarta-feira, a Justiça deu nova decisão determinando a transferência de Luciano para hospitais públicos ou particulares em 24 horas, já que a decisão anterior não foi cumprida, sob pena de multa de R$ 5 mil. Porém, ele não poderá mais ser levado para outra unidade por recomendação médica porque foi submetido a uma cirurgia antes que a Justiça soubesse do procedimento.

Luciano e a mulher dele, Daiane, grávida de 5 meses, estão sendo assistidos pela ONG Rio de Paz e pelo escritório do advogado João Tancredo. O catador foi baleado em ação do Exército no último dia 7 quando militares dispararam 82 tiros no carro do músico Evaldo Rosa, que morreu na hora. A vítima foi atingida pelos tiros ao tentar ajudar Evaldo, que seguia com a família no carro para um chá de bebê. Entre os ocupantes do veículo estavam a mulher e o filho dele de 7 anos, além do sogro, que foi baleado e já teve alta. Nove militares estão presos.

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