Torcedora ilustre do Botafogo, Beth Carvalho nunca escondeu sua paixão pelo clube. A Madrinha do Samba faleceu em 30 de abril do ano passado  - Washington Possato/Divulgação
Torcedora ilustre do Botafogo, Beth Carvalho nunca escondeu sua paixão pelo clube. A Madrinha do Samba faleceu em 30 de abril do ano passado Washington Possato/Divulgação
Por Gabriel Sobreira

"Uma saudade imensa...". Assim como no trecho de 'Andança' (Edmundo Souto/Danilo Caymmi/Paulinho Tapajós), um dos grandes sucessos na voz de Beth Carvalho, foi como ficou o país ao saber do falecimento da madrinha do samba, aos 72 anos, ontem, às 17h33, no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, Zona Sul do Rio. A causa da morte foi septicemia (infecção generalizada). Beth estava internada desde o dia 8 de janeiro deste ano. Segundo o perfil oficial da cantora no Instagram, ela estava "cercada do amor de seus familiares e amigos".

Com 54 anos de carreira, Beth Carvalho era frequentadora assídua do Cacique de Ramos e fervorosa torcedora da Mangueira e do Botafogo, revelou nomes como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, o grupo Fundo de Quintal, Bezerra da Silva e Almir Guineto, Sombra e Sombrinha, entre outros. "Agradecemos todas as manifestações de carinho e solidariedade nesse momento. Beth deixa um legado inestimável para a música popular brasileira e sempre será lembrada por sua luta pela cultura e pelo povo brasileiro", diz o comunicado oficial.

Beth tinha uma apresentação no Vivo Rio marcada para este domingo, quando ela completaria 73 anos. Mas, anteontem, o show foi cancelado por recomendações médicas. Segundo a casa de espetáculos, ingressos vendidos serão reembolsados.

O último show da sambista, no Rio, foi marcado pela emoção em outubro de 2018. Durante toda a apresentação, ela cantou deitada em um sofá. Isso porque há anos enfrentava problemas na coluna, o que limitava sua locomoção e provocava internações como a de janeiro deste ano.

"Seu talento nos presenteou com a revelação de inúmeros compositores e artistas que estão aí na estrada do sucesso. Começando com o sucesso arrebatador de 'Andança', até chegar a Marte com 'Coisinha do Pai', Beth traçou uma trajetória vitoriosa laureada por vários prêmios, inclusive um Grammy pelo conjunto da obra", termina o comunicado.

A carioca Elizabeth Santos Leal de Carvalho nasceu em 1946. Seu contato com a música foi incentivado pela família, ainda na infância. Aos 8 anos, ouvia emocionada canções de Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso e Aracy de Almeida, grandes amigos de seu pai, João Francisco Leal de Carvalho, e da mãe, Maria Nair Santos Leal de Carvalho. A avó de Beth, dona Ressú, tocava bandolim e violão.

Nas festinhas e nas reuniões musicais que aconteciam nos anos 1960 surgiu a Beth Carvalho cantora. O seu primeiro compacto foi gravado em 1965, com a música 'Por Quem Morreu de Amor', de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. No ano seguinte, participou do show 'A Hora e a Vez do Samba', ao lado de Nelson Sargento e Noca da Portela.

Durante a época dos festivais, Beth participou de quase todos. Mas foi no 'Festival Internacional da Canção' (FIC), de 1968, que conquistou a terceira posição com 'Andança', de Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi. Ali, ficou conhecida em todo o país. 'Andança' também é o título de seu primeiro LP, que foi lançado em 1969.

Com 34 discos e cinco DVDs gravados, Beth ganhou seis Prêmios Sharp, 17 Discos de Ouro, nove de Platina, um DVD de Platina, além de centenas de premiações. Ela deixou uma filha, Luana Carvalho. 

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