Daiane está sendo assistida pela ONG Rio de Paz - Divulgação / ONG Rio de Paz
Daiane está sendo assistida pela ONG Rio de PazDivulgação / ONG Rio de Paz
Por MARIA INEZ MAGALHÃES

Rio - Perto de completar um mês da morte do marido, o catador de recicláveis Luciano Macedo, baleado na ação em que o Exército disparou mais de 80 tiros em um carro, em Guadalupe, no dia 7 do mês passado, a viúva Dayana Horrara conta, com detalhes, os momentos de terror que viveu ao lado do marido no meio do fogo cruzado.

Gravida de 5 meses de Aylla Vitória, fruto do relacionamento com Luciano, Daiana lembra a felicidade do marido com a filha, a primeira dele. Ela já tem um menino de 5 anos. Daiana revelou ainda como tem vivido com a ausência do companheiro e fala do futuro. Ela conversou com Antônio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz, de quem Daiana está recebendo assistência. 

No dia em que foi baleado, Luciano e Daiana estavam na rua catando material para construir um barraco para morarem. Mas, ao avistar uma criança no meio do fogo cruzado, ele foi ajudar o menino e acabou ferido.

Na ação do Exército também morreu o músico Evaldo Santos Rosa. Laudo do Instituto Médico-Legal (IML) mostrou que ele foi atingindo por nove tiros. Era filho dele o menino que Luciano foi socorrer e acabou baleado. A criança tem 7 anos. O sogro do músico também foi ferido, mas já teve alta.

Evaldo estava indo com a família para um chá de bebê. No veículo, além dele, do sogro e do filho, estavam a mulher do músico e uma amiga. Os soldados alegaram que dispararam porque tinham informações de que bandidos em um carro igual ao do músico estava assaltando na região.

Nove dos 12 militares envolvidos na ação estão presos. O Ministério Público Militar pediu a soltura deles.

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