Uso de remédios falsificados pode levar à morte, alertam especialistas

Apreensões recentes de medicamentos ilegais mostram que procura de consumidores estimula oferta

Por Maria Luisa de Melo

PMs fecharam laboratório clandestino de remédios em Nilópolis
PMs fecharam laboratório clandestino de remédios em Nilópolis -

Avaliada em R$ 250 mil, uma vasta carga de remédios roubados foi recuperada, ontem, durante operação de policiais militares no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. No domingo, PMs fecharam um laboratório clandestino que falsificava remédios em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Os dois casos revelam, segundo especialistas, uma preocupante constatação: se há oferta de medicamentos de procedência duvidosa, há demanda para isso.

Médicos e farmacêuticos alertam que consumidores de remédios falsificados ou roubados correm risco até de morte, e um dos motivos é que esses medicamentos são mantidos fora de condições adequadas de temperatura. Coordenadora técnico-científica do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Alessandra Russo explica que a prática pode trazer sérios danos a pacientes também devido a outros motivos:

"Os remédios falsificados não têm o princípio ativo que os originais têm. Ou seja, o paciente não tem nenhum alívio nem a doença curada, só a piora do quadro clínico", destaca Alessandra. "Os falsificados também podem provocar sérias intoxicações e até levar à morte. Se a pessoa tem uma infecção bacteriana, precisa do efeito rápido de um remédio, mas não tem. O agravamento da doença pode matá-lo", conclui.

Para o médico Donizetti Giamberardino, do Conselho Federal de Medicina (CFM), a população não pode abrir mão de comprar medicamentos em farmácia: "É arriscado demais adquiri-los de terceiros", alerta. "Há alguns indícios de que o remédio é extraviado: quando a caixa de papelão danificada, muito amassada ou até a falta de lacre".

Verificando qualidade

A farmacêutica Alessandra Russo destaca ainda que há diversos mecanismos para evitar a compra desse tipo de produto falsificado (infográfico ao lado). O principal deles, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a popular 'raspadinha' na embalagem.

Depois de comprar um medicamento, o paciente deve raspar a tarja com uma moeda. Se aparecerem o logotipo do laboratório e a palavra "qualidade" na caixa, o produto é verdadeiro. Do contrário, deve solicitar a troca do produto.

Segundo o Conselho Regional de Medicina do Rio, o consumidor que tiver dúvidas sobre a originalidade de um remédio, não deve consumi-lo: "É fundamental que o paciente observe a coloração, a consistência e as condições de cada produto".

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