Cartaz colado em árvore fornece número de delegacia para denúncias - Reprodução / Whatsapp
Cartaz colado em árvore fornece número de delegacia para denúnciasReprodução / Whatsapp
Por Felipe Rebouças* e Lucas Cardoso
Rio - Um mês após intensos conflitos entre traficantes e milicianos, quem mora na Praça Seca e região ainda convive com medo. Circula nas redes sociais um cartaz supostamente feito por moradores de condomínios do bairro da Zona Oeste do Rio, pedindo o fim de cobranças feitas por milicianos: "chega de opressão", diz o informe. Segundo o aplicativo Fogo Cruzado, a Praça Seca é a localidade com maior incidência de tiroteios da capital neste ano.
"Chega de opressão. Denuncie a milícia. Estamos cansados com tanta violência. Zona Oeste e Zona Norte choram. Cadeia nesses milicianos. Chega de tiroteios. Diga não ao pagamento de pedágios para milicianos", são as frases do cartaz, que ainda inclui um telefone da Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), para denúncias.
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"Eles estão batendo de porta em porta para cobrar os R$ 50. Se o imóvel for de alto padrão, o valor pode até aumentar. A desculpa deles é que se trata de uma taxa de segurança", revela um morador que mora na Praça Seca há mais de 20 anos e preferiu não se identificar.
Em alguns condomínios, os milicianos chegaram a tentar terceirizar a cobrança da taxa de segurança. Os síndicos seriam obrigados a arrecadar a espécie de tributo e repassá-lo aos criminosos. Segundo moradores, a ação do grupo paramilitar já alcançou ruas importantes do bairro, como as ruas Barão e Baronesa, que cortam a rua Cândido Benício, por onde passa o corredor BRT.
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No topo do ranking do aplicativo Fogo Cruzado, a Praça Seca tem 33 registros de tiroteios no mês de abril deste ano, ante 28 ocorrências na Vila Kennedy e 25 em Madureira, cujo conflito tem motivação semelhante quanto à presença de grupos paramilitares. A Polícia Civil disse abriu inquéritos que apuram a ação da milícia na região e que as investigações estão em andamento.
Promessa de ocupação
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No dia 11 de abril, o governador do Rio, Wilson Witzel, prometeu ocupar as comunidades da Praça Seca para pôr fim à guerra armada na região. A proposta foi feita durante solenidade na Cidade da Polícia. Porém, até o momento, nenhuma medida foi tomada.
Questionadas, as assessorias do governador e da Secretaria de Polícia Militar, não se pronunciaram a respeito da ocupação, até o fechamento desta edição.
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*Estagiário sob supervisão de Luiz Almeida