Rio de Janeiro tem quinze milhões de litros de combustível roubados por ano

Polícia afirma que devem ser feitos investimentos em trabalhos de prevenção para que este tipo de ocorrência seja controlada

Por O Dia

Entre os anos 2016 e 2018 foram registrados 187 casos de roubos e furtos de dutos de combustível no Estado do Rio de Janeiro
Entre os anos 2016 e 2018 foram registrados 187 casos de roubos e furtos de dutos de combustível no Estado do Rio de Janeiro -
Rio - Dados divulgados nesta quinta-feira, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mostram que 15 milhões de litros de combustível são roubados anualmente. Os locais com maior incidência deste tipo de ocorrência são os municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Magé, na Baixada Fluminense. 
O levantamento foi apresentado durante a Comissão Especial do Plano Estadual de Segurança Pública e Desenvolvimento Social e da Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Roubo de Cargas da Alerj. Os furtos e roubos de dutos são uma parte do problema que engloba ainda, a sonegação fiscal. Esse tipo de crime faz com que o estado perca R$ 10 bilhões anuais em impostos.
De acordo com o Hélvio Rebeschini, diretor de planejamento estratégico da Associação Nacional das Distribuições de Combustíveis e Lubrificantes, as grandes taxas e a quantidade de roubos no Rio de Janeiro, afastam empresas que desejam operar no estado: “As empresas não conseguem competir aqui. Atualmente, temos oito distribuidoras operando e pelo menos sete companhias tentaram entrar no mercado nos últimos anos, mas desistiram por causa dos altos tributos e do grande número de roubos. No final, o consumidor é quem paga por isso”, disse e destacou que o Rio de Janeiro é o quinto maior mercado de combustível do Brasil.
A atuação da Polícia também foi abordada na reunião. Júlio da Silva Filho, titular da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), deu um panorama sobre as investigações dos roubos e furtos de dutos e cargas de combustíveis no estado. Segundo ele, não tem sido possível realizar ações mais severas por falta de investimento em equipamentos para dar início à medidas de prevenção: “Ações preventivas são dificílimas em razão dos locais onde ocorrem os delitos, que são ermos, sem câmeras. Ficamos trabalhando somente depois que o fato acontece”, destacou o delegado.
A Deputada Martha Rocha, presidente da Frente parlamentar de enfrentamento ao roubo de carga, disse que já existe um projeto em tramitação para sufocar as revendas de combustíveis roubados. Segundo ela, é preciso chegar até as empresas que compram este produto de maneira ilegal e repassa para o cliente final. "A Assembleia Legislativa pode estabelecer penas administrativas como perda de alvará e multas para atingir aquele que distribui o produto roubado. O projeto já foi apresentado pela Frente Parlamentar na tentativa de combater esse crime”, disse. 
O deputado Chicão Bulhões (NOVO), vice presidente da comissão, alertou para a necessidade de integração entre órgãos e municípios para que a situação seja controlada por todos os âmbitos: “Um dos projetos que acompanhamos da Secretaria de Fazenda é a instituição de barreiras fiscais, que possibilita o acesso a imagens em todo o estado do Rio de Janeiro. E também facilitar a devolução de produtos roubados aos donos", completou.
Participaram ainda da audiência pública o tenente coronel do Corpo de Bombeiros, Fábio Andrade, comandante do Grupamento de Operações com Produtos Perigosos, além de outros integrantes da corporação.

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