A escritora Izaura Garcia foi presa suspeita de falsificar certidão que usava para reivindicar autoria de texto presente em 'Ágape', de padre Marcelo Rossi - Arquivo pessoal
A escritora Izaura Garcia foi presa suspeita de falsificar certidão que usava para reivindicar autoria de texto presente em 'Ágape', de padre Marcelo RossiArquivo pessoal
Por O Dia
Rio - O processo milionário movido contra o padre Marcelo Rossi teve mais um capítulo surpreendente. A mulher que cobrava a autoria por um dos textos do livro 'Ágape', Izaura Garcia de Carvalho Mendes, de 65 anos, foi presa pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPim) suspeita de falsificar o documento para reivindicar a autoria de um dos textos presente na obra. Duas advogadas que a representam também foram presas em flagrante.
A informação foi revelada pelo Fantástico. 'Ágape' já vendeu 10 milhões de exemplares desde 2010, quando foi lançado, e foi retirado de circulação em abril por uma decisão judicial movida por Izaura. Em 2013, ela fez um acordo com a Editora Globo e chegou a receber R$ 25 mil numa primeira ação.
Publicidade
Não satisfeita, ela entrou com um novo processo contra a editora do livro, pedindo uma indenização de R$ 51,6 milhões. O texto que ela dizia ter escrito era o poema "Perguntas e respostas – Felicidade! Qual é?", com base em uma certidão de registro ou averbação da Fundação Biblioteca Nacional. A DRCPim solicitou a verificação à instituição, onde foi constatado que não existia o texto e o número da certidão, na verdade, pertencia a outra obra de 1995, "Por todo o amor que houver nesta vida", de autoria de Tatiana Cristina Medeiros dos Santos..  
Coordenador do setor de registros da Fundação Biblioteca Nacional, Igor Calaça Martins, classificou a falsificação como grosseira. "Não precisamos de um exame muito aprofundado para identificar que foge muito do padrão da Biblioteca Nacional", falou. "Fraude bem chula", disse delegado Maurício Demétrio, titular da DRCPim. 
Publicidade
Izaura e as duas advogadas vão responder em liberdade por formação de quadrilha, denunciação caluniosa, estelionato e uso de documento falso. O texto não pertence nem a Izaura, nem de madre Teresa de Calcutá, segundo o site da religiosa, que diz que esse é um dos vários textos falsamente atribuídos a ela. 
Procurado, padre Marcelo Rossi não quis falar sobre o desfecho do caso. "O padre não se posicionou em nenhum momento de todo o processo, agora que tudo foi esclarecido, vai continuar sem dar entrevistas", disse sua assessoria.
Publicidade