Witzel comenta morte de lutador de jiu-jítsu: 'Não importa se bandido usa ou não farda'

Governador disse que Divisão de Homicídios vai investigar o caso com 'muito rigor'

Por RAFAEL NASCIMENTO

Governador falou sobre a morte do lutador durante inauguração da nova sede da DHBF
Governador falou sobre a morte do lutador durante inauguração da nova sede da DHBF -
Rio - O governador Wilson Witzel (PSC) lamentou a morte do professor de jiu-jítsu Jean Rodrigo da Silva, vítima de bala perdida no Complexo do Alemão, nesta terça-feira. Witzel se manifestou sobre o caso durante a inauguração da nova sede da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), na manhã desta quarta.
"Quero manifestar a mãe o meu profundo sentimento pela perda. A polícia vai investigar com muito rigor a morte do Jean e ela não vai ficar impune. Não vamos poupar nenhuma pessoa. A Delegacia de Homicídios vai investigar duramente. Para nós, não importa se bandido usa ou não farda, se usa distintivo e está no parlamento. Todos serão investigados e esse será o nosso compromisso", disse o governador.
Na cerimônia, Witzel também comentou a atuação de policiais nas comunidades do Rio e rebateu críticas sobre a atuação dos agentes.
"A polícia não chega atirando. A polícia é recebida à bala com armas de guerra e se a polícia não chegar, a facção adversária vai chegar e a guerra vai ser pior ainda. O que estamos fazendo é enfraquecendo essas milícias, esses narcoterroristas e tirando deles aquilo que eles consideram sagrado, que para nós é uma desgraça: a droga".
Witzel e o vice-governador, Cláudio Castro - Armando Paiva / Agência O Dia
Para o governador, os criminosos atiram em inocentes para intimidar o Estado, mas os policiais vão continuar realizando as ações para levar segurança à população.
"O crime está cada vez mais tentando fazer com que a polícia pare. Nós estamos acreditando que eles vão continuar atirando em pessoas inocentes porque são com atos assim que o terrorismo intimida o Estado. Nós vamos continuar o trabalho para que possamos prender esses criminosos e devolver aos moradores a paz", afirmou.
MORTES NA BAIXADA
No evento de inauguração da DHBF, Witzel disse que, em conversa com o delegado Moysés Santana, titular da especializada, ficou "impressionado" com os números de mortes na Baixada Fluminense. De acordo com o governador, são três assassinatos diários, totalizando 90 por mês.
"Isso é o resultado da guerra entre facções de narcoterroristas e as mortes dessas pessoas são com requinte de crueldade para a identificação dos corpos — carbonizados e estraçalhados e em locais que dificultam a elucidação. Essas pessoas mortas muitas vezes são caladas pelo narcotráfico e não podem falar dos atos de atrocidades nessas comunidades", afirmou.
Witzel e o vice-governador, Cláudio Castro - Armando Paiva / Agência O Dia
Witzel voltou a defender a política de segurança de seu governo, dizendo que os policiais não agem "para atirar em pessoas de bem". Ele culpa a falta de investimento de governos anteriores na área, que teria causado uma "chacina", que não seria causada pelas polícias Civil e Militar.
"A Polícia Militar treina seus policias. Para nós, criminoso não usa farda e se usar nós vamos tirar a farda dele e botar na cadeia. Mas hoje quem está matando não é a polícia, e sim facções criminosas alimentadas por dinheiro espúrio do comércio de drogas que destrói famílias", reclamou.
O governador ainda criticou as denúncias feitas para órgãos internacionais de que ele seria genocida. Ele ironizou os autores das denúncias, questionando se eles sabem o que é genocídio.
"Genocídio é dizimar uma raça. Mas eu carrego no meu sangue, o sangue judeu, e sei o que é isso. Quando eu sofro a acusação de genocida, eu peço a Deus, assim como Jesus na cruz, 'perdoai, senhor. Eles não sabem o que fazem'. Eu estou aqui para defender a vida. Nós estamos aqui para limpar a sociedade deste mal que nos acomete. E há varias formas de retirar o crime. Uma delas é ir nas comunidades para libertar aquele povo sofrido. Se não fizermos isso, as facções, que hoje estão com .30, de auto poder destrutivo e que só é usado em guerra, vão usar contra nossos policiais", divagou.
Perguntado sobre a violência em Angra dos Reis, na Região da Costa Verde, o governador não quis responder.

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Governador falou sobre a morte do lutador durante inauguração da nova sede da DHBF Armando Paiva / Agência O Dia
Witzel e o titular da DHBF, o delegado Moysés Santana Armando Paiva / Agência O Dia
Witzel e o vice-governador, Cláudio Castro Armando Paiva / Agência O Dia

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