Prefeitura investiu pouco na proteção de encostas e áreas de risco  - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Prefeitura investiu pouco na proteção de encostas e áreas de risco Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Por Bernardo Costa
Rio - A CPI das Enchentes, instalada na Câmara dos Vereadores, avalia a atuação da prefeitura na prevenção de desastres e na resposta aos danos. Segundo a comissão, de um total de R$ 277,9 milhões aprovados na Lei Orçamentária Anual (LOA) para proteção de encostas e áreas de risco em 2018, apenas 15% foram empregados pela prefeitura: R$ 41,6 milhões. Em 2017, a situação foi similar: dos R$ 160,4 milhões previstos na LOA, R$ 26,6 milhões foram aplicados. A CPI das Enchentes concluiu que a Geo-Rio não tem condições de atender a cidade.
Questionado nesta sexta-feira sobre o assunto, o prefeito Marcelo Crivella respondeu: "Pode ter havido um contingenciamento, mas não nesse nível". Na quinta-feira, a CPI ouviu Herbem da Silva Maia, o presidente da Geo-Rio, responsável pela contenção de encostas, e constatou sucateamento do órgão. "Há apenas 40 técnicos para toda a cidade e quatro carros. Isso é brincar com as vidas das pessoas", disse o vereador Tarcísio Motta (Psol), presidente da CPI.
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Uma das vigas de concreto do túnel caiu sobre um ônibus. Felizmente não houve feridos - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
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Especialistas cobram investimento
Na avaliação de Jorge Mattos, coordenador da Comissão de Análises de Prevenção de Acidentes do Conselho Regional de Engenharia (Crea-RJ), os problemas de ontem no Túnel Acústico e na Avenida Niemeyer são resultado de falta de investimentos da prefeitura em contenção e monitoramento de encostas:
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"As últimas obras de grande porte que tivemos foram nas décadas de 1970 em 1980, no Corte do Cantagalo, Alto da Boa Vista e Corcovado. Depois, não tivemos mais". Para Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, a falta de investimento em prevenção de acidentes e manutenção de estruturas é um problema nacional: "Obras desse tipo não dão voto", disse.
Sobre o deslizamento na Avenida Niemeyer, Maurício Ehrlich, professor de Engenharia Geotécnica da Coppe/UFRJ, chamou atenção para o crescimento desordenado do Vidigal. "A comunidade avança sem nenhum controle. Sem rede de saneamento, o esgoto penetra e encharca o solo. Com as chuvas, a terra não suporta e vem abaixo", disse Ehrlich.
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A Geo-Rio não respondeu os questionamentos de O DIA.