Afetados por chuvas sacam FGTS

Liberação do fundo não cobre todo o prejuízo, e moradores falam em retornar para casas condenadas

Por O Dia

O mototaxista Fábio Santos com a mulher: sem FGTS e aluguel social
O mototaxista Fábio Santos com a mulher: sem FGTS e aluguel social -
Rio - Os trabalhadores que tiveram suas casas afetadas pelas chuvas do mês de abril começaram a procurar as agências da Caixa Econômica, ontem, para sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), liberado após a Prefeitura do Rio decretar estado de calamidade pública. Cada trabalhador pode sacar até R$ 6.220 por conta vinculada.
A medida, no entanto, não será a solução para alguns moradores afetados, como o mototaxista Fábio Jesus Santos, de 35 anos. Ele está morando de aluguel na Rocinha, em São Conrado, desde que sua casa, na mesma comunidade, foi interditada. “Eu não tenho FGTS. Já minha mulher tem uns três meses que está trabalhando de carteira assinada, mas se ela der entrada para sacar não vai ajudar em nada. Vai lá para sacar R$ 200... Como vai consertar uma casa? Como vai pagar o aluguel? E quem não trabalha, como vai receber?”, lamentou, lembrando também que ainda não recebeu o aluguel social, por conta de um problema com seu endereço.
“O aluguel social, que é bom, nada. Se bem que com R$ 400 não dá nem para alugar uma quitenete. Se eu não resolver nada, vou voltar para minha casa, não vou deixar eles derrubarem”. Em nota, a prefeitura disse que “o valor do benefício é de R$ 400 mensais” e que “o Auxílio Habitacional Temporário é regido pela Lei 8.742/1993 e regulamentado pelo decreto municipal 44637, de 18 de junho de 2018”.
Como dar entrada no benefício
Terão direito ao benefício os trabalhadores que têm ou já tiveram carteira assinada, que possuam conta de FGTS com saldo, além de morar em um dos locais impactados pelos temporais antes do dia 11 de abril deste ano, data da publicação do decreto. Se o morador não encontrar seu endereço na listagem, mas teve a residência atingida, deve entrar em contato com a Central 1746 até o próximo dia 28, para análise do caso. Para liberar o dinheiro, o trabalhador deve ligar para o Canal de Telesserviços da Caixa (0800 726 0207), escolher a opção 4, depois opção 3 e informar o número do PIS, Pasep, NIS ou NIT. O saque é liberado em até cinco dias úteis.
Se houver alguma inconsistência de dados, o beneficiado deve comparecer a uma agência da Caixa Econômica com a documentação de identificação (ver quadro abaixo), além de comprovante de residência, original e cópia, em nome do solicitante. Quem não possuir comprovante deverá requisitá-lo também até 28 de junho na superintendência regional mais próxima de sua casa.
Documentação
- Documento com foto (RG, passaporte, CNH)
- Cadastro de Pessoas Físicas (CPF)
- Carteira de Trabalho
- Comprovante de residência emitido entre 12 de dezembro de 2018 e 10 de abril de 2019
- Certidão de Casamento ou Escritura Pública de União Estável, caso o comprovante de residência esteja em nome de cônjuge ou companheiro
- Cartão ou o número da conta na Caixa
Datas para retirada, por mês de nascimento
Janeiro - de 3 a 7 de junho
Fevereiro e Março - de 10 a 14 de junho
Abril e Maio - de 17 a 21 de junho
Junho e Julho - de 24 a 28 de junho
Agosto e Setembro - de 1 a 5 de julho
Outubro e Novembro - de 8 a 12 de julho
Dezembro - de 15 a 19 de julho
Remanescentes - de 22 a 26 e 29 de julho

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