Taxista que socorreu cinegrafista diz que PM estava presente durante invasão de traficantes

Relato diz que policiais atiravam do alto da comunidade. PM diz que foi acionada após a vítima ter dado entrada em unidade hospitalar

Por Rachel Siston*

Amparada, irmã de cinegrafista morto em casa no Morro da Coroa chega ao IML. Ela também foi baleada no tiroteio durante uma tentativa de invasão
Amparada, irmã de cinegrafista morto em casa no Morro da Coroa chega ao IML. Ela também foi baleada no tiroteio durante uma tentativa de invasão -
Rio - O taxista Givaldo Silva, amigo do cinegrafista Rafael Santos, morto no sábado em um tiroteio no Morro da Coroa, no Catumbi, Centro do Rio, afirma que a Polícia Militar atirava do alto da comunidade contra um carro que estava parado próximo à casa da vítima durante o confronto entre traficantes de facções rivais. Ele e a família de Rafael aguardavam a chegada do corpo ao Instituto Médico Legal (IML) neste domingo.
"Foi uma invasão e a polícia ficou atirando lá de cima, da Rua Oriente. Eles ficam atirando para baixo e atingiram nossa casa, na entrada da comunidade", relatou o taxista.
Givaldo contou que o portão da casa do cinegrafista foi atingido por mais de 20 tiros e ele ainda teria dito para a irmã e sobrinho entrarem, por conta dos disparos. O taxista também disse que subiu a comunidade para tentar socorrer o amigo e foi seguido por viaturas da PM, que não tentaram impedi-lo quando desceu. 
A irmã de Rafael, Karla Santos, de 38 anos, e o filho dela também foram baleados. No IML, ela chegou perseguir um veículo da Defesa Civil que chegou ao local, entretanto, não era o corpo de seu irmão que estava no carro. Outra irmã do cinegrafista, a dona de casa Camila Santos, conta que Rafael completaria 34 anos nesta terça-feira e trabalhava em dois empregos para fazer uma festa de aniversário para a filha.
"Meu irmão trabalhava em dois empregos, essa semana seria a festa da filhinha dele. Ele faria aniversário amanhã. Meu irmão sempre foi da paz, uma pessoa boa. Minha família está destruída", lamentou Camila. A dona de casa ainda falou que ele era o responsável pelo sustento da família.
"Eu não sei como vai ser, tudo era ele. Sempre pagou escola para os filhos dele, sempre trabalhou para dar uma vida boa aos filhos. Ele trabalhava de manhã na Fox Sports e de noite entregando lanche para fazer a festinha da filha dele, para manter eles na escola."
Em nota, a Polícia Militar disse que o 5º BPM (Praça da Harmonia) só foi acionado para a comunidade após ser informado sobre três pessoas feridas que deram entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar e seriam moradoras do local e a partir de então intensificou o policiamento no Morro da Coroa. Durante a ação, um suspeito foi baleado e não resistiu aos ferimentos, com ele foram apreendidas armas, munições, carregadores e uma rádio transmissor.
A Polícia Civil disse que a Delegacia de Homicídios da Capital instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Rafael. A irmã e o sobrinho da vítima, que também ficaram feridos, foram ouvidos. As investigações estão em andamento. O velório do cinegrafista deve acontecer a partir das 8h desta segunda-feira, no Cemitério do Catumbi.
Rafael Santos - Reprodução redes sociais
Com supervisão de Waleska Borges

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Amparada, irmã de cinegrafista morto em casa no Morro da Coroa chega ao IML. Ela também foi baleada no tiroteio durante uma tentativa de invasão Agência O Dia
Rafael Santos Reprodução redes sociais

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