Ex-namorado procurado por feminicídio contra estudante da Uerj segue foragido

Bruno Ferreira Correia não foi encontrado desde o crime e teve prisão decretada há oito dias. O Núcleo de Mulheres de Ciências Sociais da Uerj realizará, nesta quinta-feira, às 18h, um ato em homenagem à Luiza Nascimento Braga

Por O Dia

Portal dos Procurados pede informações para encontrar Bruno Ferreira Correia, principal suspeito de matar estudante da Uerj
Portal dos Procurados pede informações para encontrar Bruno Ferreira Correia, principal suspeito de matar estudante da Uerj -
Rio - Bruno Ferreira Correia, apontado como o autor do feminicídio da estudante de ciências sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Luiza Nascimento Braga, 26 anos, ainda está foragido. O corpo da universitária foi encontrado na casa do procurado, que era ex-namorado da vítima. Uma recompensa de R$ 1 mil é oferecida por informações que levem à sua captura. Desde o último dia 24, apenas quatro denúncias foram passadas sobre o paradeiro dele ao Disque Denúncia.
Bruno, que também estudava na Uerj (curso de História), teve a prisão temporária decretada há oito dias, mas ainda não foi encontrado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DH-Capital), que chegou a fazer buscas no interior do estado, mas não o localizou. A Polícia Civil tem sido procurada desde o dia 25 de junho para dar informações sobre o caso, mas não retornou os pedidos da reportagem. 
Quem tiver informações sobre o paradeiro de Bruno pode denunciar pelos seguintes canais: pelo Mesa de Atendimento do Disque-Denúncia (21) 2253-1177, pelo Whatsapp ou Telegram Portal dos Procurados (21) 98849-6099; pelo facebook/(inbox), endereço: https://www.facebook.com/procurados.org/, ou pelo Aplicativo para celular – Disque Denúncia. O Anonimato é garantido. As informações serão encaminhadas para DH-Capital.
Assim que o caso veio à tona, relatos de amigos nas redes sociais apontaram Bruno como o suspeito. Ele sumiu da casa depois do crime e apagou as redes sociais, além de ligar para o proprietário do imóvel dizendo que ia viajar, levando quase todos seus pertences. Assim como a vítima, ele também estuda na Uerj, no curso de História, e ambos atuavam como militantes na universidade em causas ligadas aos direitos humanos.
O pai da estudante reforçou a suspeita do ex-companheiro ser o assassino da universitária. "Eles se conheciam (começo do namoro) faria um ano, em julho. Estavam morando juntos há quatro meses, quando ela decidiu sair para ter a vida dela. Ele não aceitou, fazia chantagem, ia para médico, ligava para minha esposa querendo falar com ela", lembrou Luiz Antonio Pereira Braga.
Segundo Luiz Antonio, a filha nunca comentou sobre uma possível violência que o namorado tenha cometido, mas disse que o suspeito, estudante da Uerj, era inseguro quanto ao relacionamento com Luiza.
"Ela conversava mais com a minha esposa, que é mulher. Mas não tinha nenhum indício (de agressão), ele era muito ciumento e possessivo porque ela era bonita, tinha o jeito dela, comunicativa, falante. Não aceitou o fim do relacionamento e fez essa brutalidade, feminicídio. O que queremos é justiça, que encontrem ele para que pague pelo que fez, para não acontecer com outras famílias", lamentou o pai.
Luiz Antônio Braga, pai da estudante universitária Luiza Nascimento Braga, morta dentro de casa na Zona Oeste - Estefan Radovicz / Agência O Dia
Semana passada, os pais e duas primas de Luiza prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios. Documentos do suspeito e dois notebooks que estavam em sua casa foram entregues à polícia para serem analisados. Um dos computadores seria da estudante. O aparelho da jovem não foi encontrado, mas informações dão conta que ele estava online em um aplicativo de mensagens na última segunda-feira, dois dias após o corpo da jovem ter sido encontrado.
"Ele não pode ficar impune, meus tios (pais de Luiza) estão à base de calmantes. A gente acorda todo dia é o pensamento é nela, a gente não se conforma. Não pode virar estatística, ligar a TV e ver um caso atrás do outro. Ele não pode ficar impune, ficar solto por aí", disse Jeane Barga, 28 anos, prima da vítima.
Luiza Nascimento Braga era estudante da Uerj e foi morta na Zona Oeste - Reprodução Facebook
Homenagem será realiza quinta-feira na Uerj
O Núcleo de Mulheres de Ciências Sociais da Uerj realizará, nesta quinta-feira, às 18h, um ato em homenagem à Luiza Nascimento Braga. "Luiza Braga era mais uma de nós. Inteligente e talentosa. Esta é uma homenagem à vida e memória de nossa companheira", diz a descrição do evento, que ocorrerá no primeiro andar da instituição, no auditório 11. Procurada, a universidade não se pronunciou sobre a morte da jovem.
Além de estudar ciências sociais, Luiza também era fotógrafa e já colaborou na produção de três curtas metragens, tendo com paixões a fotografia e o cinema. Ela estava cursando Montagem e Edição de Imagem e Som na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, onde também colaborava no Centro de Documentação e Referência do Audiovisual. A instituição lamentou a morte da jovem.
Luiza era estudante de ciências sociais da Uerj e também fazia curso na Escola de Cinema Darcy Ribeiro - Divulgação
Luiza é descrita por amigos em relatos nas redes sociais como uma jovem combativa e que lutava pelo direitos das mulheres. O Núcleo de Estudos de Desigualdades e Relações de Gênero (NUDERG) da Uerj, que agrega pesquisa e extensão nas áreas de Gênero e Desigualdades, disse que Luiza "sonhava com uma sociedade mais justa para as mulheres e outras minorias sociais" em sua nota de pesar.
"Temos a memória viva de suas participações nas disciplinas do curso, mostrando-se fortemente engajada com o debate sobre a escolarização de meninas e jovens, interessada em identificar formas de empoderamento social, político, profissional e educacional das mulheres. Luiza sonhava com uma sociedade mais justa para as mulheres e outras minorias sociais. Manifestamos nossa solidariedade aos seus familiares e desejamos que a espera pelas respostas que anseiam seja abreviada pelo empenho e compromisso da Polícia, responsável pela investigação de sua morte", diz o texto.
"Luiza era doce, sonhava e era livre acho que ela precisa ser lembrada com esse sorriso lindo e a nós fica o desejo de que a justiça seja feita e de que o #feminicídio pare de acontecer. Vá em paz flor. Sua luz será lembrada", postou uma amiga.
A universitária chegou a postar uma mensagem sobre relacionamento abusivo antes de sua morte. A postagem em sua rede social aconteceu dia 11 de junho, possivelmente uma semana antes de sua morte.
Luiza Nascimento Braga estudava ciências sociais na Uerj. Namorado é apontado por familiares e amigos como suspeito de ter matado a jovem - Reprodução Facebook
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Luiza era estudante de ciências sociais da Uerj e também fazia curso na Escola de Cinema Darcy Ribeiro Divulgação
Luiza Nascimento Braga estudava ciências sociais na Uerj. Namorado é apontado por familiares e amigos como suspeito de ter matado a jovem Reprodução Facebook
Luiz Antônio Braga, pai da estudante universitária Luiza Nascimento Braga, morta dentro de casa na Zona Oeste Estefan Radovicz / Agência O Dia
Luiza Nascimento Braga era estudante da Uerj e foi morta na Zona Oeste Reprodução Facebook

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