Renda de PM ligado a Ecko aumentou mais de 478% desde 2015, diz polícia

Clayton da Silva Novaes foi preso nesta quarta-feira. Lotado no Comando de Polícia Ambiental, militar pode ter usado da corporação para facilitar licenças ambientais para a empresa Macla Incorporações, da qual é sócio com milicianos

Por RAFAEL NASCIMENTO

O PM Clayton da Silva Novaes foi um dos presos na operação desta quarta
O PM Clayton da Silva Novaes foi um dos presos na operação desta quarta -
Rio - A renda do PM reformado Clayton da Silva Novaes, preso nesta quarta-feira, aumentou mais de 478% desde 2015, segundo a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro. Então lotado no Comando de Polícia Ambiental (CPAM), o militar pode ter usado da corporação para facilitar licenças ambientais para a empresa Macla Incorporações — da qual ele é sócio junto com os milicianos Wellington da Silva Braga, o Ecko, e de seu irmão, Luís Antônio da Silva Braga, conhecido como o Zinho. Criada em 2014, a empresa de terraplanagem, pavimentação e drenagem movimentou R$ 41 milhões e teria sido usada para lavar dinheiro do grupo paramilitar 'Liga da Justiça', segundo investigações da Polícia Civil. Clayton entrou na PM e deixou a corporação em 2015, por motivo de saúde.

Após a prisão de Novaes, os investigadores vão apurar quais foram as licenças obtidas pela empresa. "(Por ele ser do CPAM) facilitou na busca de licenças que dependem de órgãos ambientais", disse o delegado Thiago Neves, do Departamento de Combate à Corrupção ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCCCO-LD).
Durante a operação Terra Nostra, os agentes prenderam seis pessoas ligadas a milícia que atua na Zona Oeste e em municípios da Baixada Fluminense. As investigações começaram em 2017 após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações atípicas nas contas dos envolvidos. "O inquérito se inciou com analise de três relatórios de movimentações financeiras que demonstrava diversas operações suspeitas dos investigados. Identificamos algumas empresas que eram utilizadas pela milícia. A ideia era dar uma aparência de legalidade daqueles valores e em seguida eles começaram a praticar aquilo que chamamos de mescla (transações legais fundidas a transações ilegais) dificultando as investigações", disse o delegado.

De acordo com a promotora Alessandra Celente, a origem do dinheiro utilizado é criminoso. “As fontes disso são as extorsões, homicídios, transporte irregular, grilagem de terras, entre outras atividades criminosas”, salientou.

Os mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos no Recreio dos Bandeirantes e Santa Cruz, na Zona Oeste. Além de Itaguaí, Seropédica e Paracambi. Os presos na operação serão indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro

Areia extraída na Baixada pode estar sendo usada para construir prédios da milícia

O DIA apurou que a Polícia Civil vai investigar se areia e terra extraídas ilegalmente em terrenos de munícios como Seropédica e Paracambi podem estar sendo usadas por milicianos para construir prédios na Zona Oeste da cidade. No final do ano passado, durante uma operação da Civil, uma retroescavadeira foi apreendida em um terreno em Santa Cruz. À época, segundo os investigadores, o local era usado para extrair areia ilegal.
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