A região de Quintino está sob influência de milicianos e traficantes do CV tentam retomar a região. Preso, o traficante Alexandre de Melo, o Piolho, comanda a retomada. A foto mostra um dos mortos, em setembro de 2018, durante confronto entre as quadrilhas. - Maíra Coelho
A região de Quintino está sob influência de milicianos e traficantes do CV tentam retomar a região. Preso, o traficante Alexandre de Melo, o Piolho, comanda a retomada. A foto mostra um dos mortos, em setembro de 2018, durante confronto entre as quadrilhas.Maíra Coelho
Por Bruna Fantti
Rio - Nas áreas em que 16 batalhões são responsáveis pelo policiamento, um relatório da Inteligência da Polícia Militar, ao qual O DIA teve acesso, constatou que há “níveis de instabilidade e possibilidade iminente de confrontos entre grupos criminosos”. 
Somente entre os dias 19 e 28 de junho, nas regiões do 3º BPM (Méier); 7º BPM (São Gonçalo); 9º BPM (Rocha Miranda); 4º BPM (São Cristóvão); 17º BPM (Ilha do Governador); 20º BPM (Mesquita) e 35º BPM (Itaboraí), novos incidentes, como mortes de lideranças do tráfico, tentativas de expansão de territórios de milicianos e disputas entre traficantes rivais fizeram a corporação ligar o alerta vermelho e aumentar o policiamento.
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Galeria de Fotos

Danilo Lima (foto) é braço direito do miliciano Wellington Braga, o Ecko, e domina desde 2016 onze áreas em Nova Iguaçu. A polícia identificou que conflitos no bairro Danon são frutos de uma tentativa de retomada do tráfico do TCP. Disque-Denúncia
Em Santo Antônio, em Itaboraí, há mais uma disputa entre quadrilhas rivais de traficantes. A polícia aponta Bruno Souza Lima, o Bruno Pelanca, do TCP, como um dos homens à frente dos tiroteios com os criminosos residentes no local, do CV. Disque-Denúncia
Líder de denúncias à polícia, somente no mês passado foram 176 ao Disque-Denúncia, o traficante Thomas Jhayson Gomes, o 3N, tenta expandir seu território. Agora do TCP, ele é apontado como um dos envolvidos nos tiroteios no Morro do Anaia Grande, em São Gonçalo. Reprodução da Internet
A morte da cúpula do tráfico do Morro do Dendê fez com que a comunidade da Ilha do Governador entrasse no relatório da PM como área instável. Há indefinição sobre quem assumirá as atividades criminosas. Na foto, carro onde morreu Fernandinho Guarabu. Ricardo Cassiano
Vítima: o jovem Luciano da Costa foi morto no dia 26 de junho por uma bala perdida, no Morro do Dezoito. Segundo a polícia, a troca de tiros ocorreu entre traficantes das facções TCP e ADA, que disputam o controle da venda de drogas maquela região. Reprodução / Internet
A região de Quintino está sob influência de milicianos e traficantes do CV tentam retomar a região. Preso, o traficante Alexandre de Melo, o Piolho, comanda a retomada. A foto mostra um dos mortos, em setembro de 2018, durante confronto entre as quadrilhas. Maíra Coelho
No dia 15 de junho houve uma invasão bem-sucedida ao Morro da Coroa (TCP) por traficantes do CV, oriundos do Fallet/Fogueteiro. O TCP tenta retomar a região. Em 2018, as UPPs da região foram extintas devido ao fracasso do programa. Divulgação
Outras 10 grandes áreas já estavam no radar da corporação. Chamadas de “conflagradas, mas estáveis”, elas apresentam possibilidades
de novos confrontos pelos mais diferentes assuntos. Na Rocinha, a tensão é causada por um triângulo amoroso proibido. A namorada
de um gerente do tráfico teria se relacionado com o traficante Loirinho e, por isso, ele foi sentenciado à morte. Ocorre que Loirinho seria considerado um filho para Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que mesmo dentro de um presídio federal, ainda seria um dos chefes do crime no local. O conflito interno poderia rachar a quadrilha, o que fez a PM reforçar o policiamento na região.
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Novos desdobramentos em disputas que já ocorrem há meses também são listados pela polícia. Como no Morro do Dezoito, no Méier, que tem influência da quadrilha Amigos dos Amigos (ADA), mas sofre tentativas de invasões do Terceiro Comando Puro (TCP). Erick Bandeira teria sido morto a mando do tio, que está preso, após mudar de lado, no dia 19 de junho.
Em todas as áreas, segundo o relatório, as ordens partem de dentro dos presídios. Sobre isso, o promotor André Guilherme Freitas, que atua na fiscalização dos presídios, é taxativo. “Isso ocorre devido a pomboscorreios; servidores corruptos e uso de celulares. É necessário restrições em relação ao contato do interno com terceiros”, disse.
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Freitas também pontua possíveis soluções. " O Brasil é um país rico em exemplos e experiências bem sucedidas no sistema prisional. Faz necessário maior intercâmbio de informações e experiências, para que tais projetos otimizadores e efetivos sejam trazidos ao nosso Estado".

Confira sete locais que receberam reforço no policiamento: