Manifestantes fazem caminhada na Baixada Fluminense contra a intolerância religiosa - Divulgação
Manifestantes fazem caminhada na Baixada Fluminense contra a intolerância religiosaDivulgação
Por Bernardo Costa
RIO - Cerca de 1.500 pessoas participaram de uma caminhada, na manhã deste domingo, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para protestar contra casos de intolerância religiosa. Segundo dados da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), foram registrados, no primeiro semestre deste ano, cerca de 200 ameaças contra casas que cultuam religiões de matriz africana no estado do Rio, um número 100% maior do verificado no mesmo período do ano passado. Desse total, 35% dos casos foram na Baixada Fluminense.
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Segundo o Babalawô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), houve aumento dos crimes de intolerância religiosa nas cidades de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. As ações, de acordo com Ivanir dos Santos, são praticadas por traficantes que se dizem evangélicos. 
Manifestantes fazem caminhada na Baixada Fluminense contra a intolerância religiosa - Divulgação
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"O nosso ato busca chamar a atenção da população e das autoridades para esses crimes. Algo precisa ser feito", disse Ivanir, que lembrou um caso ocorrido na última semana, no Parque Paulista, em Duque de Caxias: "Traficantes armadas destruíram uma casa religiosa e deram ordem para as pessoas irem embora em 24 horas. Outras 15 casas religiosas foram ameaçadas na região". 
Segundo Nádia d' Oya, uma das organizadoras do evento, os traficantes que estão cometendo crimes de intolerância religiosa se intitulam 'Soldados de Jesus'. Segundo ela, 22 casas religiosas de matriz africana foram fechadas este ano em Nova Iguaçu. 
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Manifestantes fazem caminhada na Baixada Fluminense contra a intolerância religiosa - Divulgação
"Isto é um absurdo. Ninguém pode usar o nome de Deus para fazer o mal. Esta passeata de hoje é a primeira de uma série que estamos programando", disse Nádia, da casa Ilê Ase Awon Orisa, em Nova Iguaçu.
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Bispo evangélico, Marcelo Rosa comentou que a manifestação foi um pedido de socorro. "Temos que conter o avanço desses crimes sob o risco de termos uma guerra civil no país. Quem comete esses atos de intolerância são criminosos travestidos de homens de Deus", disse Marcelo. 
Manifestantes fazem caminhada na Baixada Fluminense contra a intolerância religiosa - Divulgação
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A caminhada, que percorreu a Via Light, contou também com a presença de representantes da religião católica, evangélica, dos bruxos Wicca e da comunidade cigana, que realizaram uma apresentação de dança em um palco armado na via expressa. O ogan Bagbala, o mais antigo do Rio, com 100 anos de idade, cantou e tocou tambores. 
Em nota, o Governo do Estado do Rio informou que a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) vem investigando os casos de ataques a templos religiosos na Baixada Fluminense, inclusive com identificação de autoria. E que a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos presta atendimento às vítimas de intolerância religiosa, com orientação jurídica, assistência social e encaminhamento à rede de atendimento.