O estudante Alan Cordeiro da Silva, 18 anos, foi morto na manhã de domingo durante ação do 41º BPM (Irajá) em baile funk - Arquivo pessoal
O estudante Alan Cordeiro da Silva, 18 anos, foi morto na manhã de domingo durante ação do 41º BPM (Irajá) em baile funkArquivo pessoal
Por Beatriz Perez
Rio - O pai de uma das vítimas da ação da Polícia Militar em um baile funk na manhã de domingo em Para-Pedro, Colégio, Zona Norte do Rio, diz que uma pistola foi forjada em seu filho para incriminá-lo. O operador de supermercado Leandro Cordeiro da Silva, 36 anos, denuncia que Alan Cordeiro da Silva, de 18 anos, também teve o socorro comprometido pelos militares. O rapaz nunca teve envolvimento com o crime e foi baleado quando fugia do tiroteio, conta o pai. 
Leandro Cordeiro conta que os moradores da Comunidade se mobilizaram quando viram que o estudante de 18 anos foi alvejado. Ele conta que os policiais chegaram atirando e o filho mais velho foi ferido quando corria para fugir dos tiros. Alan foi à rua para comprar pão e acabou ficando no meio do fogo cruzado.
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"Todo mundo quando ouve o estrondo, tem vontade de se esconder. Ele foi correr e levou um tiro. Aí os moradores, conhecendo a índole do meu filho, se comoveram e criaram um tumulto. Conseguiram pegá-lo, de onde estava caído, e botaram em uma kombi para socorrê-lo. Mas a polícia fechou a kombi em movimento, tirou meu filho e colocou na viatura", conta Leandro.
Pessoas se abaixam durante tiroteio em baile funk neste domingo - Reprodução/OTT
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'Tentaram socorrê-lo, mas a polícia não permitiu'
Assim que soube da notícia, o pai correu para encontrar o mais velho dos quatro filhos no Hospital Estadual Carlos Chagas, mas encontrou Alan sem vida. "A polícia disse que iria levá-lo para o Getúlio Vargas quando ele ainda estava com vida, mas levaram pro Carlos Chagas. Queriam que ele morresse para que não pudesse dar o testemunho. Ainda forjaram uma pistola 9 mm no nome dele", desabafa. 
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O pai da vítima conta que quando chegou à delegacia para registrar ocorrência, os policiais que participaram da ação também prestavam depoimento. "O inspetor que me atendeu informou que os PMs deram a declaração de que ele estava com uma pistola, quando meu filho nunca teve envolvimento nenhum com o tráfico de drogas", diz. 
Leandro Cordeiro da Silva conta que vai lutar por justiça: "Eu vou correr atrás. Um inquérito já foi aberto. Tenho testemunhas, vídeos, que podem provar que eles foram negligentes. Tanto quando eles alvejaram meu filho, quanto quando não prestaram socorro. Se a população não tivesse se comovido, ele não teria nem a chance de ter sido socorrido". 
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De acordo com informações da 27ª DP (Vicente de Carvalho) uma Operação Policial foi deflagrada no domingo para reprimir o tráfico de drogas, roubo de cargas e baile funk, na Favela Para-Pedro, conforme as declarações prestadas pelos policiais militares lotados no 41º BPM (Irajá).

Dois homens foram encontrados mortos em locais diferentes da comunidade. Os policiais disseram à Polícia Civil que drogas e duas pistolas foram apreendidas nos respectivos locais. Perícia foi realizada. A outra vítima ainda não teve a identidade revelada.

Testemunhas que estavam no baile funk realizado na região foram ouvidas. Investigações estão em andamento com o objetivo de esclarecer todos os fatos ocorridos, segue a nota da Polícia Civil.
A Comunidade Para-Pedro em Colégio amanheceu sob intenso tiroteio no domingo. Os disparos aconteceram no fim de um baile funk, por volta das 6h50 da manhã. Vídeos publicados pela plataforma Onde Tem Tiroteio (OTT) mostram pessoas que estavam saindo do baile deitando no chão para se proteger de disparos de arma de fogo.
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Por volta das 7h50 de domingo, houve protesto com queima de lixeira e outros objetos na Estrada de Colégio. Ainda segundo a Polícia Militar, equipes foram acionadas para o local e foi necessário uso de armamento não letal. Na ação, um motociclista atropelou um militar e foi baleado, após o disparo acidental da arma do PM atingido. Os dois foram socorridos para o Posto de Assistência Médica (PAM) de Irajá. O policial sofreu escoriações e foi liberado. Ainda não há informações sobre os estados de saúde do outro ferido.
Em nota, a PM informou que equipes do 41º BPM (Irajá) realizavam patrulhamento na comunidade quando foram atacados a tiros e houve confronto. "Um criminoso morreu e outro foi baleado e socorrido para o Hospital Municipal Carlos Chagas, em Marechal Hermes, também na Zona Norte. Duas pistolas foram apreendidas", diz a nota. Questionada sobre a versão de que Alan era inocente, a Secretaria da Polícia Militar manteve a versão e ressaltou que "assim como ocorre em todas as ações policiais que resultam em morte, um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar as circunstâncias do fato".
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A data e o local do velório e enterro de Alan ainda não foram divulgados.