Quadrilha de roubo de carros lucrava até 2.000% com a venda de cada veículo

Criminosos comparavam veículos de leilões por cerca de R$ 4 mil e revendiam por até R$ 80 mil

Por RAFAEL NASCIMENTO

Ferro-velho em Realengo foi um dos locais onde a operação encontrou carros sendo desmanchados
Ferro-velho em Realengo foi um dos locais onde a operação encontrou carros sendo desmanchados -
Rio - Estimativas da polícia apontam que a quadrilha de roubo a carros que foi alvo da Operação Lego lucrava até 2.000% com a venda de cada veículo. De acordo com as investigações, os criminosos comparavam automóveis praticamente destruídos de leilões por cerca de R$ 4 mil e revendiam por até R$ 80 mil. Para transformar o carro em novo, eles usavam peças de outros veículos do mesmo modelo que eram roubados.
"Eles pegavam um veículo de leilão praticamente perdido, quase sem nenhum valor comercial - o que interessava para eles era a documentação -, levava para dentro da comunidade e pegava outro carro de mesmo modelo, roubado, tirava todas a peças e montava em cima do carro que não tinha mais valor", detalha o titular da Delegacia Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), o delegado Alessandro Petralanda.
A Operação Lego mirou 80 criminosos que são da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, e praticam roubo de carros na região, principalmente em Campo Grande, Santa Cruz e Bangu. Além das prisões, foram cumpridos diversos mandados de busca e apreensão, principalmente em ferros-velhos, onde foram descobertas dezenas de peças de carros.
"Eles recuperavam um carro praticamente 100% com peças roubadas, fazendo com que o carro ruim roubado passasse a ser um carro bom com o documento legalizado do leilão", Petralanda acrescenta, reforçando que os veículos eram "vendidos normalmente para terceiros de boa fé, para que o dinheiro revertesse em compra de novas drogas para levar para a comunidade".
Ferro-velho em Realengo - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
ABORDAGEM VIOLENTA
O delegado conta que os bandidos eram agressivos na hora de praticar os roubos. Eles sempre estavam armados e muitas vezes machucavam as vítimas.
Alguns ferros-velhos também fazem parte do esquema para a compra de peças que sobravam da montagem do novo veículo ou até mesmo integralmente de um automóvel roubado.
"Alguns ferros-velhos já tinham trato com eles para que os veículos (roubados) que eles não utilizassem para usar nos veículos de leilão pudessem ter as peças desmontadas e levadas para esses ferros-velhos para poder também gerar lucro para eles", o delegado explica. "Depois, esse dinheiro era todo dividido entre eles".
Um dos ferros-velhos vistoriados - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
REBOQUE COMO DISFARCE
Durante a operação desta terça, foram apreendidos dois caminhões reboque pela quadrilha. Ainda segundo o titular da DRFA, esses automóveis eram usados para que os criminosos transportassem os carros que eram levados da Vila Kennedy para outro local.
"Como todo veículo roubado ia para a vila Kennedy, muitas vezes eles precisavam pegar e levar para outra comunidade para que pudesse ser feito o mesmo serviço de montagem e desmontagem em cima de carro de leilão", conta.
Os presos de hoje vão responder pelos crimes de organização criminosa, roubo de veículo e receptação qualificada. Petralanda espera, agora, que outras operações possam ser feitas para a prisão de mais criminosos que agem da mesma forma.
"Vão ter novas operações para a gente prender aqueles que a gente não conseguiu prender hoje e também fazemos novas operações no decorrer para prender novos elementos que venham a ser identificados nessa investigação", planeja.
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Ferro-velho em Realengo foi um dos locais onde a operação encontrou carros sendo desmanchados Reginaldo Pimenta
Ferro-velho em Realengo Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Um dos ferros-velhos vistoriados Reginaldo Pimenta / Agência O Dia

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