Uma arte que passa de pai para filho

Gerações de artistas de circo se encontram no picadeiro e levam diversão ao respeitável público

Por Leonardo Rocha

Os palhaços Lagrimita e Tititi
Os palhaços Lagrimita e Tititi -

Alegria e amor são, de fato, sentimentos contagiantes. Quem nunca ouviu uma boa gargalhada e sentiu vontade de rir? Ou presenciou uma atitude tão apaixonada que se inspirou? É exatamente desta forma que gerações de artistas circenses vêm se formando e se transformando ao longo dos anos. Uma vocação que passa de pai para filho e encanta o respeitável público.

Aos 64 anos, Juan Carlos Ugalde, o palhaço Lagrimita, vai comemorar o Dia dos Pais em cima do picadeiro, ao lado do filho, Jean Ugalde, de 19, que interpreta o palhaço Tititi. Os dois, que estão em temporada no Circo Las Vegas, no Shopping Nova Iguaçu, fazem parte de uma família de artistas. "Sou nascido e criado no circo. É uma tradição. Meu pai era palhaço e sempre que estava trabalhando eu ia com ele. Ficava apaixonado ao ver as pessoas sorrindo", destaca ele, que comemora, hoje, a oportunidade de dividir a cena com o filho. "É muito lindo vê-lo seguindo meus passos. Me lembro de quando eu era criança e trabalhava com meu pai. Um verdadeiro ciclo da vida", comemora.

Galeria de Fotos

Nascidos e criados no circo, artistas mantêm a tradição de levar alegria às cidades em que se apresentam Gilvan de Souza / Agência O DIA
Nascidos e criados no circo, artistas mantêm a tradição de levar alegria às cidades em que se apresentam Gilvan de Souza / Agência O Dia
Mágico Ulisses e a assistente Kinberly Gilvan de Souza / Agência O Dia

Oriundo do Chile, Juan Carlos atuava como trapezista e, agora, arranca sorrisos como o palhaço Lagrimita. O fato de rodar o mundo dentro de um trailer o aproxima ainda mais de sua família. "A melhor parte de ser pai no circo é poder estar com ele o tempo todo. É inevitável que todos acabem se tornando circenses. Os pequenos já carregam a serragem do circo no sangue", conta.

Tendo o pai como referência, Jean conta que nunca pensou em seguir outra profissão. Levar alegria para as pessoas é a sua missão. "É um amor tão grande por ele e pelo circo, que não consigo ficar longe", afirma. Tanto que estar no palco com Juan Carlos, no Dia dos Pais, vai ter um gostinho especial para o jovem. "Ele é a minha inspiração. É um privilégio trabalhar com ele, que tem 64 anos, e ainda está aqui na ativa. Eu não me vejo em outra dupla a não ser com ele", conta o rapaz, que também é pai de um menino de 11 meses. "Eu já tentei ter uma vida na cidade, já fui casado, mas, geralmente, o povo de circo se junta com gente de circo, a nossa vida é na corda bamba", assume.

A história do mágico Ulisses Tavares não é tão diferente. Pai de sete filhos, ele também vem de uma família circense e, hoje, se apresenta ao lado da filha, Kimberly Tavares, de 14, no Circo Las Vegas. "Meu bisavó também era de circo. Quando a gente é criança fica vendo nossos pais trabalhando e se encanta. Isso já acontece com minhas filhas. Uma chama atenção da outra e isso vai se perpetuando", confessa.

Seguir a mesma profissão dos pais não é uma obrigação entre o povo circense. Mas é quase inevitável fugir desta realidade. "A gente vive na estrada e o importante é conversar, ser amigo dos filhos para que nos contem as coisas. Por isso, a importância da cumplicidade. Ela tem muita confiança em mim. Nos inspiramos mutuamente", derrete-se Tavares. 

 

Comentários