ONG Rio de Paz visita moradores que tiveram casas danificadas na Cidade de Deus

Blindado da PM forçou passagem em viela arrastando casas e fiação na comunidade; PM diz que vai ressarcir os danos

Por O Dia

Momento em que o caveirão da Polícia Militar arrasta fiação e barracos na Cidade de Deus, na terça-feira
Momento em que o caveirão da Polícia Militar arrasta fiação e barracos na Cidade de Deus, na terça-feira -
Rio - A ONG Rio de Paz, filiada ao Departamento de Informações Públicas da ONU, foi na tarde desta terça-feira até a localidade conhecida como Karatê, situada na comunidade Cidade de Deus, para conversar e dar apoio a famílias que tiveram suas casas destruídas por um blindado da Polícia Militar. No início do dia, o veículo do Comando de Operações Especiais (COE) passou por uma das vielas arrastando casas, portas, janelas, telhados e fiação.

“Entrevistamos dezenas de moradores da comunidade que fica situada a 10 minutos do Parque Olímpico e 15 minutos da Barra da Tijuca. Todos estavam indignados, frustrados e se sentindo ignorados pelo poder público. Nunca vimos favela tão pobre na cidade do Rio de Janeiro”, afirmou Antônio Carlos, Presidente e Fundador da ONG Rio de Paz.

A ONG  quer que o Governo do Estado do Rio de Janeiro entre em contato com as famílias da comunidade para conhecer suas demandas e pagar pelo prejuízo que causou. “Não conseguimos entender que proveito tirar para a segurança pública de uma operação policial como essa”, disse Antônio Carlos.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que " policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) foram checar informação do setor de inteligência na Cidade de Deus. Na localidade conhecida como Rocinha 2, o veículo blindado de transporte de tropa ficou preso em fios elétricos. Dois policiais desembarcaram para retirar os fios com segurança, porém ao sair daquele local, o blindado chocou-se com algumas moradias.

A Polícia Militar esclarece que entrará em contato com os moradores e irá ressarcir os danos provocados pela passagem do blindado".
Ainda durante o período da manhã, moradores realizaram um protesto por conta da ação. Houve interdições na Rua Edgard Werneck, altura da Linha Amarela, e na Estrada Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes.

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