Larissa e Deivissom saíram atrasados, mas conseguiram se casar - Arquivo Pessoal
Larissa e Deivissom saíram atrasados, mas conseguiram se casarArquivo Pessoal
Por GUSTAVO RIBEIRO
Rio - Por pouco um tiroteio no Morro do Alemão não transformou em pesadelo o sonho da atendente de mercado Larissa Aparecida de Oliveira, de 19 anos, e do motorista de transporte escolar Deivisom Alves, 31. Moradores da localidade do Sabino, na comunidade, eles estavam com o casamento marcado para as 11h desta sexta-feira na ONG Alô Alegria, em Engenho da Rainha, na Zona Norte do Rio. Larissa tinha marcado de produzir cabelo e maquiagem às 9h, mas não teve condições de sair de casa. Como a cerimônia é comunitária, não pôde trocar a data. Por fim, conseguiu trocar as alianças às 14h.

Segundo Larissa, a troca de tiros começou por volta das 5h e foi até o fim da manhã. A Polícia Militar fez operação em diversos pontos da favela. Para se proteger dos disparos, eles deitaram no chão da cozinha da casa onde moram com a filha de quatro meses. “Eu acordei às 5h da manhã apreensiva e os tiros se prolongaram até as 11h. Não tinha como sair de casa. Tentei ligar e não podia marcar para outro dia. Me deixaram casar até as 17h, porque o casamento comunitário será de hora em hora hoje. O tiro parou por volta das 11h e só depois consegui começar a me arrumar. Os tiros pegam na minha janela”, contou Larissa.
Larissa e Deivisom - Arquivo pessoal


O casal está junto há um ano e a grande data estava marcada há duas semanas. Nervosa com medo de tudo dar errado, Larissa resolveu se maquiar sozinha. Quando o tiroteio parou, foi até o salão de beleza perto de sua casa fazer o cabelo. Por volta das 13h, a produção estava a mil por hora. A moradora já ficou várias vezes impedida de sair de casa devido aos confrontos. “Muitas vezes fiquei presa por causa dos tiroteios. Tenho uma filha de quatro meses e já perdi várias consultas médicas dela por causa da violência”, lamentou.
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Depois do sufoco, Larissa desabafou: "Estou me sentindo realizada!".
Larissa e Deivisom - Arquivo pessoal
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Imagens enviadas ao WhatsApp O DIA (21-98762-8248) mostram PMs dentro de casas de moradores durante o intenso tiroteio que marcou o início da operação policial. Em uma das fotos, um policial aparece apoiado ao sofá de uma residência com o fuzil apontado para a parte de fora do local. As imagens foram feitas na localidade Alvorada. Outras fotos mostram buracos na parede de uma residência provocados pelos tiros. Até uma caixa d'água foi perfurada por disparos. A PM informou que a operação no Alemão é realizada pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora "para coibir o tráfico de drogas na região".