Pelo menos, a ‘sugestão’ feita ao pai do craque, no último sábado, pelos torcedores do PSG, no Estádio Parque dos Príncipes, em Paris, caiu bem entre as meninas da Vila Mimosa - Cléber Mendes
Pelo menos, a ‘sugestão’ feita ao pai do craque, no último sábado, pelos torcedores do PSG, no Estádio Parque dos Príncipes, em Paris, caiu bem entre as meninas da Vila MimosaCléber Mendes
Por O Dia
Rio - Se a última janela de transferência europeia não deu certo para Neymar, que não conseguiu um retorno para o Barcelona e teve que seguir no Paris Saint-Germain (PSG), já na Vila Mimosa o enredo seria outro. Ali, que é o ‘ponto alto’ da Praça da Bandeira, o brasileiro estaria sendo recebido agora de portas abertas. Pelo menos, a ‘sugestão’ feita ao pai do craque, no último sábado, pelos torcedores do PSG, no Estádio Parque dos Príncipes, em Paris, caiu bem entre as meninas da VM: “Neymar sr. (pai), venda seu filho na Vila Mimosa!”, escreveram os parisienses, em uma grande faixa que estampou a arquibancada durante a partida contra o Strasbourg — que marcou a reestreia do jogador, autor do gol que deu a vitória de 1 a 0 para o clube parisiense.

Aliás, o recado da torcida fez com que a ‘Vila’ se tornasse assunto mundial na tarde daquele sábado. “Formaria uma fila”, admitiu Pérola, de 30 anos, que trabalhou algum tempo em uma das famosas casas da VM. “Se ele aparecesse aqui, eu ia desmaiar. Ele é tudo de bom, e com o pacote completo, ou seja, com a conta bancária, é melhor ainda”, completou a jovem, que não saberia mensurar o passe do atleta: “Ele tem tanto dinheiro que nem sei”.

Já Lana Vianna, de 20 anos, arriscou um valor: “Ele seria recebido maravilhosamente bem aqui, sem dúvida alguma. E juntando todas as casas daqui, acho que sairia (cobraríamos) de R$ 20 mil a R$ 25 mil, o que para ele não é nada”. Vendedora de um bar na Vila Mimosa, Tatiana, 40 anos, acredita que teria que mediar a disputa entre as moças da VM para atendê-lo. “Ia ter briga, e ele seria muito disputado. Eu teria que sair daqui do meu trabalho de venda de bebidas para ajudar a resolver isso”.

Protagonista de performances dentro e fora da VM, Roberta D’Summer, 50, diz que prepararia um belo show de boas-vindas ao Neymar. “Se ele pagar bem, a gente faz. Mas cobraria caro, porque ele pode pagar”, decretou.

As frases de ‘conforto’ podem levar algum alento ao jogador, que teve que enfrentar as críticas ferrenhas da torcida do PSG no seu retorno aos campos pelo clube. A irritação dos apoiadores do time cresceu diante das tentativas (frustradas) de ele sair do Saint-Germain.

Com negociações comandadas por seu pai e empresário, o jogador buscou uma transferência para o Barcelona e até para o Real Madrid. Mas nenhuma transação deu certo, e ele teve que enfrentar a ira dos torcedores no último sábado. “Deixo claro que não tenho nada contra os torcedores, nem contra a entidade Paris Saint-Germain, mas todo mundo sabe que eu queria sair, e deixei claro isso”, declarou Neymar, logo após a partida redentora. “Isso é uma página virada. Hoje sou jogador do PSG e prometo dar tudo em campo, cumprir o meu papel e ser feliz dentro de campo”, finalizou.

A história da Vila Mimosa
Som no último volume e letreiros em neon são os aspectos menos chamativos da Vila Mimosa, um dos redutos de prostituição mais antigos do Rio de Janeiro. Atualmente localizado na Praça da Bandeira, na Zona Norte, suas ruas já receberam famosos como Cartola, Luiz Gonzaga e até Valesca Popozuda esteve por lá, gravando cenas do clipe ‘Desce um gin’, em 2018.

É na entrada da Rua Sotero dos Reis que os visitantes deixam o pudor de lado. Nos fins de semana, a VM recebe cerca de 4.500 pessoas, que procuram o prazer em alguma das 70 casas de prostituição. Por muitos anos, as meninas firmaram residência em outro bairro da Zona Norte carioca, o Estácio, mas a prefeitura precisou do espaço num projeto de revitalização da área. Logo em seguida, mudaram-se para o atual endereço, onde estão há 23 anos, considerado o ‘escritório’ de cerca de mil prostitutas.

De acordo com historiadores, a VM teria se originado na época da Primeira Guerra Mundial, com a concentração de mulheres do leste europeu que fugiam do conflito bélico e se fixaram na Zona do Mangue.

No ano 2000, um projeto chamado ‘Dama das Camélias’ presenteou as garotas de programa com cursos de capacitação para confecção de roupas e adereços para o Carnaval. Uma unidade da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) foi criada lá, sete anos depois.