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PM e Prefeitura do Rio fazem ação contra milícia em Jacarepaguá

Operação garante demolição de construções de paramilitares na Zona Oeste

Por ANDERSON JUSTINO e BRUNA FANTTI

Rio de Janeiro - RJ  - 19/09/2019 - Demolição de Moradias Irregulares - A SEOP com apoio da policia militar fez na manha de hoje uma operaçao na comunidade Canal do Anil, em Jacarepagua, zona oeste do Rio, para demolir moradias irregulares - foto: Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 19/09/2019 - Demolição de Moradias Irregulares - A SEOP com apoio da policia militar fez na manha de hoje uma operaçao na comunidade Canal do Anil, em Jacarepagua, zona oeste do Rio, para demolir moradias irregulares - foto: Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia -
A Polícia Militar e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (SMUIH) realizaram, ontem, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, uma operação para demolir construções irregulares da milícia. De acordo com a PM, a região é controlada por grupo paramilitar que explora a venda e o aluguel de imóveis construídos em área ambiental. Durante a ação, um carro de passeio foi incendiado e moradores protestaram contra as demolições.

Segundo a prefeitura, apenas construções não habitadas foram destruídas. Não foi informada a quantidade de imóveis demolidos. Segundo a SMUIH, moradores que não tiveram suas casas removidas serão convocados e cadastrados no programa da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.

De acordo com o subcomandante do 18° BPM (Jacarepaguá), tenente-coronel Leonardo Oliveira, a necessidade de demolir as construções na região por causa da ocupação da milícia é antiga. “A Polícia Militar está aqui para garantir a integridade de todos, dos moradores e da equipe da prefeitura. Estamos aqui para assegurar que nada saia do controle”, destacou o subcomandante do 18° BPM (Jacarepaguá).

Pedreiro da milícia
A Polícia Civil do Rio buscará em Pernambuco o homem apontado como o principal responsável pela construção dos prédios que desabaram na Muzema, na Zona Oeste. Conhecido como Zé do Rolo, José Bezerra de Lira, 42 anos, o pedreiro da milícia, tinha mandado de prisão pelo homicídio das 24 pessoas mortas no desabamento ocorrido em abril. De acordo com a polícia, ele estava escondido no sertão pernambucano para fugir dos comparsas milicianos. “Ele informou para os policiais que o prenderam que estava sendo ameaçado pela milícia, por conta do prédio que desabou e, por isso, fugiu”, disse a delegada Adriana Belém, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), responsável pela investigação do desabamento.

A delegada informou que agora pretende uma delação premiada. “Sem dúvida, ele tem muito a dizer. Fazia construções ilegais de ponta a ponta da Zona Oeste. Deve saber do envolvimento de agentes públicos também. Vamos tentar a transferência para o Rio o mais breve possível”, afirmou Belém, que também comentou a mudança de visual do criminoso.

“Estava diferente, com cabelo baixo, barba. Talvez adotou o visual para não ser encontrado”. A prisão foi realizada pela Polícia Militar de Pernambuco, após informe da Polícia Civil do Rio. Zé do Rolo estava com duas espingardas no momento da prisão. Outros dois acusados pela tragédia já se encontram presos.

Ontem, diferentes grupos milicianos também sofreram baixas. Na Baixada Fluminense, dois homens apontados como integrantes de uma milícia que age em Nova Iguaçu foram presos pela Polícia Civil. Identificados como João Teixeira dos Passos, conhecido como Jota, e Ednílson Jesus da Silva , o Baiano, foram encontrados no distrito de Lídice, no município de Rio Claro. O primeiro chefia uma milícia que atua nos bairros da Grama, Figueiras, Miguel Couto e Vila de Cava. O outro, segundo as investigações, atuava como segurança do comparsa.

Um terço das denúncias
Até setembro de 2019, milicianos representam quase um terço de todos os denunciados pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio em 2019. A informação foi divulgada pelo portal de notícias G1. Segundo o MP, foram denunciadas 861 pessoas e, desse total, 285 participantes de variados grupos paramilitares que atuam no estado.

Em junho, O DIA havia revelado que em São Gonçalo, cidade que tem a segunda maior população do
estado, grupos paramilitares já são responsáveis por 40% das mortes. As milícias no Município de São Gonçalo, ao contrário do tráfico, não são rivais. Elas dividem os serviços de matadores e cobradores de taxas, de acordo com a delegada Bárbara Lomba: “Na investigação que culminou com a prisão de 24 pessoas, no ano passado, identificamos que os assassinos trabalhavam para mais de um chefe.

Uma espécie de consórcio de criminosos”. A prisão dos grupos de milicianos provocou a redução de 33% (menos 60 casos) no número de homicídios, nos primeiros oito meses deste ano, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).
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