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Balas perdidas: ‘Witzel se mostrou disposto a ajudar’, diz Yvonne Bezerra

Governador garante que discutirá pedido de moradores da Maré com comandantes da PM

Por Anderson Justino e Gustavo Ribeiro

A pedagoga Yvonne Bezerra: 'Foi uma reunião muito produtiva'
A pedagoga Yvonne Bezerra: 'Foi uma reunião muito produtiva' -
Rio - Uma cartilha produzida por adolescentes do Complexo da Maré, com 17 orientações para reduzir casos de discriminação e mortes de moradores em operações policiais, será discutida pelo governador Wilson Witzel com os comandantes dos batalhões da PM. O documento foi entregue ontem por cinco jovens a Witzel. Criadora do Projeto Uerê, Yvonne Bezerra de Mello, responsável pela iniciativa, também pretende levar o documento para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Câmara dos Vereadores e comissão de Segurança da Câmara dos Deputados.

A lista inclui orientações como “Respeitar a Constituição”, “Evitar operações na entrada e saída das escolas” e “Não forjar situações colocando armas nas mãos de moradores baleados”.

O material traz o título “O que os policiais não devem fazer quando entram nas comunidades?”. O governador não deu garantias de que o estado vai interromper as ações da polícia nas comunidades, mas prometeu reunir-se com responsáveis da Segurança para debater sobre os itens.

“Foi uma reunião muito produtiva para essas crianças. Elas foram ouvidas pelo governador, é muito importante esse acesso que esses jovens tiveram hoje. O governador se mostrou disposto a ajudar e disse que vai levar os pedidos para os comandantes”, explicou Yvonne.

O modelo, elaborado por jovens de 11 a 15 anos, é uma resposta ao posicionamento do governador, que sugeriu a elaboração de uma cartilha para dar orientações a moradores de comunidades, determinando como devem proceder durante operações. 

Witzel e o coronel Rogério Figueredo, secretário da Polícia Militar, receberam Yvonne e os adolescentes. A pedagoga contou que os jovens conversaram com o governador e enumeraram problemas vivenciados na Maré. Invasões a residências e o uso de helicópteros durante operações policiais foram algumas das pautas. Witzel não conversou com a imprensa.

Outras frases, sugeridas à mão pelos adolescentes, antes da edição da cartilha, denunciam a discriminação pelas forças policiais, como por exemplo “Lembrar que, por uma questão de cor, não quer dizer que a pessoa seja bandido ou esteja protegendo um” e “Lembrar também que o modo de se vestir ou o corte de cabelo não quer dizer que você é bandido”.

Outras frases denunciam a violência policial, como “Não deve roubar os produtos das lojas” e “Não deve entrar na casa dos moradores sem mandado”.
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