Estátua roubada: do lixo ao luxo

Polícia descarta envolvimento de ferros-velhos e passa a investigar mercado paralelo de obras de arte

Por Anderson Justino

Depredação do patrimônio público. Monumentos vem sendo quebrados e estátuas furtadas em todo centro do Rio e Zona Sul. Na foto, local onde foi furtada estátua de 400 kg na Zona Sul do Rio.Escultura representa a mãe do primeiro presidente do Brasil, D. Rosa Paulina da Fonseca.
Depredação do patrimônio público. Monumentos vem sendo quebrados e estátuas furtadas em todo centro do Rio e Zona Sul. Na foto, local onde foi furtada estátua de 400 kg na Zona Sul do Rio.Escultura representa a mãe do primeiro presidente do Brasil, D. Rosa Paulina da Fonseca. -
Rio - Quanto vale a estátua de Dona Rosa Paulina da Fonseca, mãe do Marechal Deodoro da Fonseca, que foi roubada na madrugada de domingo? Caso vá parar num depósito clandestino de ferro-velho, os 400kg de bronze distribuídos em 2 metros de altura não passariam de R$ 4 mil. Já nas mãos de colecionadores, devido ao valor histórico, o preço seria inestimável, segundo leiloeiros.

Enquanto o mistério do desaparecimento da peça continua, a Polícia Civil segue em diligência. Ontem, a delegada Juliana Domingues, titular da 9ª DP (Catete) e responsável pela investigação, praticamente descartou a hipótese de que a peça tenha sido levada para algum ferro-velho.

A polícia investiga a possibilidade de a estátua ter sido arrancada do monumento em homenagem ao primeiro presidente do Brasil para ser comercializada no mercado negro de obras de artes.

Uma testemunha ouvida pela polícia, disse na delegacia que a estátua é dividida em duas partes, o que facilitaria seu transporte.

Até o fim da tarde de ontem, o Disque-Denúncia havia recebido quatro ligações relatando possíveis locais para onde a escultura teria sido levada, mas nada foi encontrado.

Segundo Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio), as câmeras que monitoram o fluxo de veículos no entorno da Praça Paris, na Glória, não conseguiram registrar momento do roubo da estátua ou possíveis envolvidos fugindo em veículo suspeito.

Dono de um depósito no bairro Santo Cristo há mais de 40 anos, Paulo Aurélio diz que normalmente ferros-velhos não se interessam por bronze e sim por cobre. “Mas se roubaram é porque tem quem compre. Eu  jamais faria um absurdo como esse”.

Valor histórico altera preço

Para a leiloeira Soraia Cals, o valor da estátua roubada pode chegar a R$ 400 mil pelo significado histórico. Apesar disso, Cals acredita que a escultura deve ser derretida para reutilizarem o material, e não revendida.

Já o leiloeiro Roberto Haddad considera o roubo uma grande perda para a cidade. “Seu valor chega a ser inestimável”, afirma.
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Depredação do patrimônio público. Monumentos vem sendo quebrados e estátuas furtadas em todo centro do Rio e Zona Sul. Na foto, local onde foi furtada estátua de 400 kg na Zona Sul do Rio.Escultura representa a mãe do primeiro presidente do Brasil, D. Rosa Paulina da Fonseca. Estefan Radovicz / Agencia O Dia
Depredação do patrimônio público. Monumentos vem sendo quebrados e estátuas furtadas em todo centro do Rio e Zona Sul. Na foto, local onde foi furtada estátua de 400 kg na Zona Sul do Rio.Escultura representa a mãe do primeiro presidente do Brasil, D. Rosa Paulina da Fonseca e placas com bustos em volta do conjunto. Estefan Radovicz / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 18/02/2020 - Ferro Velho pela cidade do Rio - Na foto, pessoas com material para venda no ferro velho, no Rio Comprido, zona norte do Rio - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 18/02/2020 - Ferro Velho pela cidade do Rio - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 18/02/2020 - Ferro Velho pela cidade do Rio - na foto, Paulo Aurelio, dono de ferro velho no Santo Cristo, centro do Rio - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia

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