Heróis da saúde que lutam contra o coronavírus no Rio

Profissionais da categoria fazem alerta à população diante a pandemia do coronavírus

Por Waleska Borges

Profissionais do Centro de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, pedem à população que fique em casa
Profissionais do Centro de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, pedem à população que fique em casa -

Rio - Com folhas de papel, o recado carinhoso é bem simples: "Nós estamos aqui por vocês. Fiquem em casa por todos nós". A mensagem é dos funcionários do posto municipal de saúde Heitor Beltrão, na Tijuca. Na linha de frente ao atendimento dos casos suspeitos e possíveis infectados pelo coronavírus, os profissionais são os verdadeiros heróis da saúde. O recado publicado nas redes sociais dos trabalhadores tem se espalhado e conquistado a admiração dos pacientes. O Dia conversou com quatro destes profissionais que contaram seus medos e desafios diante a pandemia do coronavírus.

Diretora do posto, a dentista Eunice Figueiredo, conta que a ação dos profissionais da unidade foi espontânea e se inspirou em fotos de outros trabalhadores de saúde dos países que enfrentam o coronavírus. "O recado de todos nossos colaboradores é para o bem geral de todos", frisou a diretora.

Assista ao vídeo com depoimentos dos 'heróis da saúde'

Cinthia Alves
A enfermeira Cinthia Alves, de 44 anos, está há quase uma década no Posto de Saúde Heitor Beltrão. Apesar os anos de experiência e ter presenciado outras crises na área, como a proliferação dos casos de dengue e chikungunya, ela diz que teme o coronavírus. "Não vou negar que tenho medo, mas temos que estar aqui para orientar à população". Segundo Cinthia, assim como os demais profissionais do posto, ela atende aos suspeitos com todo Equipamento de Proteção Individual (máscara, capote, luvas, touca e óculos) em uma sala reservada para isso. Logo depois, toda a roupa usada é descartada e o local higienizado. "Minha mãe, de 73 anos, é a mais preocupada. Me manda mensagens todos os dias". Apesar de toda tensão, Cinthia não pensa em desistir: "Eu gosto de ajudar e cuidar das pessoas".

Vanessa de Carvalho
Médica da saúde pública há 12 anos, Vanessa de Carvalho, de 38 anos, conta que para proteção de seus familiares se isolou neste momento. O contato com os pais e a avó está suspenso. Em casa, ela faz de tudo para proteger o filho, de 6 anos, e o marido. "Só pego meu filho depois de tomar banho e lavar até a cabeça. Meu marido também não está visitando os pais porque está sempre em contato comigo". Disse a médica, ressaltando a importância da população se manter em casa: "Essa é a única forma dos número dos casos não explodir". Vanessa conta que, apesar da apreensão, vai seguir em frente com o seu trabalho: "Essa é a profissão que escolhi. Não seria outra coisa na vida. Trabalho por amor".

Rejane Aguiar
A técnica de enfermagem Rejane Aguiar, de 30 anos, está na profissão há três. Antes disso, trabalhava de bombeiro civil. Com vocação para ajudar pessoas, ela diz que é cautelosa na rotina da sua casa onde tem um bebê de apenas três meses. "Chego em casa e vou direto tomar banho. Essa é a profissão que escolhi e não vou recuar", comentou. Segundo Rejane, a mãe dela está muito preocupada com a Covid-19 e já até chegou a pedir para ela desistir do trabalho. "A enfermagem me escolheu. Gosto de ajudar o próximo. Vai dar tudo certo", espera a técnica de enfermagem que diz estar sempre lavando as mãos com água e sabão. "Só saio na rua para trabalhar e ir ao supermercado. É muito importante que as pessoas fiquem em casa".

Letícia Guimarães
Agente comunitária de saúde, Letícia Guimarães, de 39 anos, também conta ser motivada pelo amor ao próximo. Em situações normais, fora da pandemia do coronavírus, ela atende idosos, crianças, gestantes e pacientes que necessitam de cuidados especiais em casa. Mãe de um jovem, de 20 anos, e de um bebê de um ano, ela conta ser uma pessoa responsável nos cuidados para proteção da sua família. "Não podemos ficar desesperados. O momento é de manter a calma. Tento passar essa mensagem para as outras pessoas". Ela reforça o pedido à população que higienize as mãos e se mantenha em casa. "Faço o meu trabalho por amor. Então, fique em casa por nós".

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Profissionais do Centro de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, pedem à população que fique em casa fotos: Fabio Costa
A técnica de enfermagem Rejane Aguiar, de 30 anos, está na profissão há três. Antes disso, trabalhava de bombeiro civil Fabio Costa/Agencia O Dia
gente comunitária de saúde, Letícia Guimarães, de 39 anos, também é motivada pelo amor ao próximo Fabio Costa/Agencia O Dia
Médica da saúde pública há 12 anos, Vanessa de Carvalho, de 38 anos, conta que para proteção de seus familiares se isolou neste momento Fabio Costa/Agencia O Dia
A enfermeira Cinthia Alves, de 44 anos, está há quase uma década no Posto de Saúde Heitor Beltrão Fabio Costa

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