Mais de 71% dos leitos de UTI da rede estadual são ocupados por paciente com coronavírus

Segundo balanço da Secretaria Estadual de Saúde, a ocupação de leitos em enfermarias da rede estadual é de 48,5%

Por O Dia

Rio - Evitar o colapso do sistema de saúde tem sido uma das principais preocupações das autoridades cariocas durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, no entanto, a taxa de ocupação por pacientes infectados pela Covid-19 na rede estadual é de 48,5% em leitos de enfermaria e 71,49% em leitos de UTI. Há uma semana, as taxas eram de 41% e 63%, respectivamente.

Chrystina Barros, pesquisadora em saúde do CESS/UFRJ, afirma que a taxa de ocupação em leitos de UTI é motivo de alerta. "Essa taxa acima de 71% preocupa bastante, ainda mais sabendo que não existe uma data exata para um paciente liberar o leito para o outro", diz.

A pesquisadora garante ainda que a solução vai muito além da construção de novos leitos. "Não adianta somente montar os hospitais de campanha. É necessário que se tenham também os respiradores e os equipamentos de proteção individual para os profissionais da saúde", aponta ela.

Por conta desse aumento na taxa de ocupação dos leitos, pacientes que não estão infectados pelo novo coronavírus estão tendo muita dificuldade de realizar transferências. Na última terça-feira, Nubia Lucena levou seu pai de 66 anos, que está com tuberculose, na UPA da Tijuca. Porém, de acordo com a médica que o atendeu, os exames estavam normais. Dois dias depois, Mário voltou à unidade de pronto atendimento após sofrer uma convulsão em casa.

Segundo o balanço da SES, há disponíveis 2.541 leitos de enfermaria e outros 214 de UTI no Rio de Janeiro. Até o momento, já foram abertos 548 novos leitos exclusivos para pacientes infectados pela Covid-19 em todo o estado. Ao todo, a SES vai disponibilizar na capital, Região Metropolitana e interior 3.414 leitos. Desses, 2 mil serão leitos em hospitais de campanha, com previsão de entrega no fim de abril.

Falta de leitos na rede municipal

Hospitais municipais de emergência da rede pública seguem com uma parte dos leitos sem funcionar. O Albert Schweitzer, em Realengo, tem 20 leitos de UTI fechados, e o Miguel Couto, no Leblon, outros 20 sem funcionamento. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, eles devem ser reabertos até o fim do mês. Até agora, 514 pessoas estão hospitalizadas com suspeita ou confirmação de coronavírus na rede pública. O Hospital Ronaldo Gazolla, referência no tratamento da Covid-19, tem apenas um leito com respirador disponível dos 50 que possui.

Comentários

Últimas de Rio de Janeiro