Pouco movimento e muitas incertezas: Zona Oeste do Rio sofre com impactos econômicos da pandemia

Num beco sem saída, muitos empresários não veem outra alternativa a não ser o afastamento dos empregados

Por Danillo Pedrosa

Com os estabelecimentos vazios, lojistas estão precisando buscar alternativas
Com os estabelecimentos vazios, lojistas estão precisando buscar alternativas -

Setor mais afetado pela pandemia do novo coronavírus, o comércio sofre com os efeitos do fechamento de estabelecimentos não-essenciais em tempos de quarentena. Em meio a demissões, reduções salariais e alto prejuízo, lojistas se viram como podem para pagar as contas e manter os negócios em ordem.

Paraíso dos shopping centers — 40% dos existentes na cidade — e recheada de centros comerciais, a Zona Oeste sofre com os efeitos da pandemia, e o medo do desemprego e da falência assola os moradores da região. Enquanto a vida não volta ao normal, alguns se viram como podem tirar uma grana extra. É o caso de Thiago Monteiro, dono das empresa Fast Print, no calcadão de Bangu. Com a loja fechada por causa da pandemia, ele tem investido o tempo em outro empreendimento.

"Estamos usando a reserva que tínhamos para pagar somente as contas essenciais. A minhas, do meu sócio e do nosso funcionário, porém, só temos reserva para este mês. Atualmente, comecei um projeto para venda de pizza congelada em casa, para tentar cobrir pelo menos os custos das despesas", conta Thiago.

Com o faturamento quase zerado, tem sido difícil até manter o único funcionário da empresa. A solução, por enquanto, vai ser ajudá-lo como for possível. "Pedimos a ele (funcionário) uma lista de suas contas essenciais e temos tentado arcar com pelo menos esse custo, já que não conseguimos nessa condição pagar o salário dele completo", explica o empreendedor.

Já nos shoppings, os funcionários que ainda têm emprego torcem para que a pandemia chegue ao fim, antes que a demissão seja inevitável.

"Trabalhei até o dia 18. No outro dia, já tinham demitido dezenas de pessoas", conta Bruno, que trabalha em uma loja no Barra Shopping. Agora, ele teme que chegue a sua vez. "Não sei como vai ser, porque o shopping vai continuar fechado", completou.

No caso de Lilian, que trabalha em uma loja de roupas no West Shopping, o salário será reduzido em cerca de 50%, assim como a jornada de trabalho. Atualmente, ela trabalha em casa, fazendo atendimentos pelo site da empresa, e a comissão caiu muito.

"Não é igual a estar na loja física. Vou receber cerca da metade do que estou ganhando", lamenta a funcionária.

 

Aluguéis: 'O caminho é o bom senso'

Diante de tanto prejuízo, os aluguéis têm sido uma grande dor de cabeça para os lojistas no período de quarentena. Nesse momento de tanta dificuldade, o presidente do Sindicato de Lojistas do Rio de Janeiro (Sindilojas), Aldo Gonçalves, alerta: "o caminho é o bom senso".

Embora não possa interferir na negociação entre lojistas e proprietários, o Sindilojas acredita que as partes podem a um acordo. Mas, se não houver, recomenda ao comerciante "entrar com uma ação na justiça", e avisa que vai apoiar juridicamente os associados.

No caso de Thiago Monteiro, lojista no calçadão de Bangu, o Centro Comercial suspendeu a cobrança dos aluguéis até que a reabertura das lojas, quando haverá uma negociação.

Já a Aliansce Sonae, que administra o Bangu Shopping, o Recreio Shoppping e o Via Parque, na Barra, também suspendeu as cobranças enquanto as atividades não forem retomadas. A medida visa "minimizar o impacto econômico aos seus lojistas e ao mesmo tempo preservar os empregos gerados por eles". A empresa também concedeu isenção dos fundos de promoção vai reduzir em 50% os encargos condominiais para pagamento em maio.

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