O vai e vem continua

Primeiro dia de 'lockdown parcial' no Calçadão de Campo Grande tem aglomeração em outras áreas

Por Anderson Justino

Nem mesmo a chuva que atingiu a região, ontem, foi capaz de impedir o vai e vem de pessoas nas ruas do centro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, no primeiro dia de funcionamento das medidas mais rigorosas de isolamento social, chamado pelo prefeito Marcelo Crivella como "lockdown parcial". Agentes da Guarda Municipal montaram bloqueios com grades impedindo apenas a circulação de pedestres no calçadão. Em outros pontos ao redor da região, no entanto, houve aglomerações, principalmente nas portas das agências bancárias. 

O prefeito disse que o próximo alvo do lockdown será no Calçadão de Bangu, a partir de hoje. Crivella também afirmou que a medida pode ser adotada em centros comerciais de outros bairros da Zona Oeste, como Santa Cruz e Realengo. Comércios não essenciais e ambulantes atuam nessas regiões. 

O secretário de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, disse que a prefeitura pretende adotar medidas mais radicais, caso as novas ordens não sejam respeitadas pela população. Inicialmente, o bloqueio no Calçadão de Campo Grande vai durar 7 dias, mas pode ser estendido.

Somente funcionários de atividades essenciais, como de farmácias, agências bancárias e supermercados estão autorizados a circular pelas ruas. A medida mais rigorosa tenta frear o avanço dos casos da covid-19 na região.

A decisão de fechar a passagem ao calçadão gerou discussão entre a população. Para a empregada doméstica Flávia França, de 41 anos, a medida deveria ser mais flexível. "É importante para frear o avanço da doença, mas impedir as pessoas de terem o direito de ir e vir já é demais. Pra chegar na estação do trem, a gente precisa fazer outro trajeto", reclamou.

Zona Oeste é epicentro da pandemia no Município do Rio

A Zona Oeste é líder em casos confirmados do novo coronavírus no Município do Rio. Cinco bairros da região (Campo Grande, Bangu, Santa Cruz, Realengo e Barra da Tijuca) estão entre os dez primeiros com maior número de óbitos por decorrência da doença. Juntos, somam 160 mortes no total. Campo Grande lidera o ranking, com 40 óbitos.

Dados da Secretaria de Ordem Pública mostram que a região acumula, também, o maior número de denúncias de concentração de pessoas feitas através do Disk Aglomeração. Campo Grande e Bangu são responsáveis por 36% da incidência.

Em pouco mais de um mês, o canal de denúncia registrou 4.421 casos. Os bairros mais demandados foram Campo Grande, Realengo, Bangu, Santa Cruz, Taquara, Barra da Tijuca, Copacabana, Tijuca, Centro e Jacarepaguá.

O serviço funciona, principalmente, com base em chamados feitos à Central 1746, e a maioria dos atendimentos é para dispersar grupos de pessoas em áreas públicas.

Mais fiscalização em bares e restaurantes

A prefeitura do Rio informou que vai apreender mesas, cadeiras e outros equipamentos ou mercadorias colocados em área pública por restaurantes, bares, lanchonetes, padarias e lojas de conveniência. 
A medida foi publicada hoje no Diário Oficial de ontem, por meio da Resolução SMF 3149 e tem como objetivo evitar aglomerações naqueles locais, o que possibilitaria uma maior propagação do coronavírus.
A venda de bebidas e alimentos para consumo imediato no local segue proibida. 

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