ZONA OESTE - CAPA - ENFERMEIRAS - Roberta - fotos ARQUIVO PESSOAL
ZONA OESTE - CAPA - ENFERMEIRAS - Robertafotos ARQUIVO PESSOAL
Por Gustavo Monteiro
Levantamentos das secretarias municipal e estadual do Rio apontavam que 29 profissionais de Saúde morreram por covid-19 em território fluminense. Médicos,enfermeiros e auxiliares que deram a vida lutando contra um inimigo invisível,mas avassalador, o coronavírus. Nesta edição, quando se comemora o Dia internacional da Enfermagem, O DIA rende homenagens aos 56,2 mil enfermeiros do estado que, ao obterem seus diplomas, juraram “dedicara vida profissional a serviço da humanidade, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana”.
Roberta da Costa Silva,de 47 anos, é um deles. Enfermeira há 23, ela chefia a equipe da Clínica de Doenças Renais do Anil, na Zona Oeste, e escolheu a profissão porque considera uma grande emoção cuidar de pessoas e ajudá-las a superar os desafios das doenças que enfrentam. Ela só não poderia imaginar que seria uma das vítimas da covid-19.
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“Não sei exatamente como me contaminei, mas, como chefio a equipe da clínica, fui para a linha de frente para atender os pacientes suspeitos que chegaram na unidade, justamente para tentar preservar a minha equipe”,revela a profissional, queficou em isolamento domiciliar por 15 dias, apenas no quarto da casa onde mora,em Campo Grande, e longe dos filhos de 13 e 9 anos. Ela teve todos os sintomas clássicos: febre, dor no corpo,perda de apetite, perda do paladar, diarreia e mal estar.O quadro evoluiu para pneumonia, mas ela não precisou ser entubada. A partir do 10º dia, começou a melhorar.
Angústia
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“É muito estranho você ser paciente, sobretudo por termos muita informação. A maior angústia foi por saber da gravidade que a doença pode atingir e o temor por não haver mais leitos de UTI disponíveis nas redes pública e privada do Rio de Janeiro. A gente fica vendo as notícias e a angústia só aumenta. Mas respeitei o isolamento, fiquei com meu oxímetro medindo a saturação de oxigênio e melhorei. O bom é que nem meu marido,nem meus filhos se contaminaram”, conta Roberta.
Para voltar à ativa, ela fez todos os exames necessários,que confirmaram a cura. “Escolhi ser enfermeira porque me sinto bem em ajudar o outro; é uma gratificação quando a gente vê uma pessoa se recuperando”, completou a profissional, especializada em nefrologia.