Menino foi morto a tiros durante operação policial. Estava dentro da casa da tia, no Complexo do Salgueiro, com os primos 
 - Arquivo Pessoal
Menino foi morto a tiros durante operação policial. Estava dentro da casa da tia, no Complexo do Salgueiro, com os primos Arquivo Pessoal
Por Thuany Dossares
Rio - A família de João Pedro Matos Pinto, de 14 anos, procurou a Defensoria Pública para acompanhar as investigações sobre a morte do estudante. A tia do menino, Denise Roza, declarou ao DIA que eles pensam em processar o Estado e pedir indenização. O adolescente foi baleado dentro de casa, durante uma troca de tiros entre policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil e traficantes do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na tarde de segunda-feira.
"Queremos justiça. Isso não pode ficar assim, sem respostas. É claro que queríamos ele vivo, mesmo que estivesse ferido, mas queríamos ele aqui conosco. Não vamos deixar para lá. Mesmo neste momento de tanta dor, estamos encontrando forças para correr atrás de justiça. A defensoria irá nos representar", contou.
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Segundo Denise, até a tarde desta quarta-feira, a Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, que investiga o caso, não havia entrado em contato com nenhum familiar, solicitando comparecimento na especializada para prestar depoimento.
"A Defensoria irá nos ajudar, inclusive nisso, a acompanhar o caso junto à polícia, saber o andamento da investigação", disse a tia do adolescente.
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Procurada pelo DIA, a assessoria de imprensa da Defensoria Pública informou que irá comentar sobre o caso em breve. 
Lembrança da longa noite sem notícias 
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A familiar ainda relembra, com pesar, o sofrimento que todos viveram em busca de notícias de João Pedro, até descobrirem que ele estava morto no Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, em São Gonçalo, na manhã de terça-feira, 17 horas depois dele ser baleado.
"Foram horas de agonia, de dor. Levaram ele sem dizer para onde estavam socorrendo. Quem colocou ele no helicóptero foi outro adolescente, a mando dos policiais, que não nos deixaram chegar perto e nem acompanhá-lo. Ele foi levado até sem documentos e essa era a nossa maior preocupação. Porque a gente ligava para os hospitais e isso dificultava até termos notícias. Queremos justiça até por esse descaso conosco e com a vida do meu sobrinho", desabafou Denise.
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Segundo ela, a mãe do menino, Rafaela Matos Pinto, está completamente arrasada. "Minha cunhada está sem chão, super abalada. Nós que estamos reunindo forças para correr atrás da justiça, temos que agir", finalizou.