Paulo Marinho presta depoimento e pede que MPF investigue devassa em sua conta bancária

Empresário também relatou sofrer ameaças

Por O Dia

Depoimento do Paulo Marinho no MPF
Depoimento do Paulo Marinho no MPF -
Rio - O empresário Paulo Marinho prestou depoimento, nesta quinta-feira, no Ministério Público Federal (MPF), sobre o vazamento de informações da Operação Furna da Onça ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). Em conversa com jornalistas na saída do prédio do MPF, Marinho confirmou o pedido de investigação sobre a possibilidade de uma devassa em sua conta bancária e de ameaças que tem recebido pelas redes sociais. 
Sobre o depoimento, o empresário informou que reproduziu o que foi realizado na Polícia Federal, apenas com uma riqueza de detalhes maior. "Hoje estive aqui, reproduzi o meu depoimento de ontem (na Polícia Federal) com uma riqueza de detalhes talvez maior. A investigação aqui (MPF) é mais ampla. Trouxe provas, deixei as provas nas mãos do procurador e ele recomendou que eu, igualmente ao depoimento de ontem, não divulgasse o teor. O que posso dizer é que confirmei integralmente o conteúdo da entrevista que dei para a Folha de São Paulo, dando outros detalhes", contou.
"A questão que me deixou absolutamente perplexo é que li, hoje de manhã, uma notícia que informa que estão sendo feitas devassas nas minhas contas pessoais, por pessoas poderosas de Brasília. Por conta desta notícia, aproveitei e solicitei ao procurador que tomasse as providências e apurasse a veracidade dessa informação. Então, o fato novo mais importante em relação à minha segurança pessoal é esta questão da possibilidade de estar havendo uma devassa nas minhas informações pessoais", completou. Questionado se a suposta devassa seria obra de Jair Bolsonaro, o empresário desconversou. "Não acho nada".
Quanto às ameaças, Marinho informou que todas acontecem pelas redes sociais e seu filho que está cuidando do processo. "Eu não tenho informações da origem dessas ameaças, elas se dão sempre no âmbito das redes sociais, em um tom agressivo. Eu tenho uma família, tenho quatro filhos, tenho uma neta pra nascer e, obviamente, preciso de responsabilidade de proteção com a minha família. Eu preferi não tomar conhecimento disso, sou uma pessoa analógica, não costumo ficar na internet, eu deixo isso pro meu filho, que me informa desse detalhes".
O procurador Eduardo Benomes falou à imprensa. "Em relação às ameaças, seria a ótica dele. Do ponto de vista do MPF, eu aconselhei que ele peticione advogados, mas pelo que ele relatou ele está sob proteção do governo do estado. Questionado sobre a data da conclusão da investigação, Benomes foi enfático. "Eu espero que seja o mais rápido possível, desde que não atropele o procedimento e traga prejuízo para a acusação. Não investigamos por investigar. A ideia da investigação é colher elementos para eventual acusação. A questão é o que está em jogo e a complexidade da informação", destacou.
"O objeto da investigação é o vazamento da operação (Furna da Onça), os desdobramentos são outra coisa. Temos que analisar o que foi dito e decidir que passo tomar. Podemos ouvir outras pessoas. Mas vamos decidir a partir desse depoimento de hoje", concluiu.
Em entrevista à Folha de S. Paulo publicada no último domingo, Marinho afirmou que um delegado teria se encontrado na porta da superintendência da PF - a mesma em que foi depor nesta quarta - com interlocutores do então deputado estadual e atual senador para informar que a operação seria atrasada, a fim de não prejudicar a família Bolsonaro em meio ao período eleitoral de 2018.
A operação foi às ruas no dia 8 de novembro e cumpriu 19 mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e 47 de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) e tendo como foco deputados da Assembleia Legislativa do Rio.
Flávio não era alvo, mas relatórios de inteligência financeira produzidos pelo antigo Coaf já apontavam desde janeiro daquele ano movimentações suspeitas nas contas de Fabrício Queiroz, seu suposto operador financeiro no esquema de "rachadinha".
Os relatórios tinham como escopo deputados e assessores da Alerj, e o caso específico de Flávio foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo no início de dezembro, quando o procedimento investigativo já havia sido aberto pelo Ministério Público do Rio.
Segundo Marinho, os advogados Miguel Braga Grillo e Victor Granado Alves, que têm longo histórico de relação com a família Bolsonaro em gabinetes e processos judiciais, compareceram à sede da PF junto com outra interlocutora, Val Meliga, para ouvir o que o delegado tinha a dizer.
As denúncias de Marinho fizeram com que a Polícia Federal reabrisse um inquérito sobre supostos vazamentos da Furna da Onça. O Ministério Público Federal também anunciou que vai investigar o caso.

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