Ato de amor durante a pandemia

Mesmo durante quarentena, famílias realizam sonho da adoção. Justiça Fluminense faz prosseguimento a processos por videoconferências

Por Waleska Borges

Quatro irmãs foram adotadas por casal do interior do Estado do Rio: desafio durante pandemia
Quatro irmãs foram adotadas por casal do interior do Estado do Rio: desafio durante pandemia -
Rio - O sonho de um casal de ter uma filha, e que estava na fila de espera da adoção por quase cinco anos, se realizou na quarentena. Moradores do Rio, a contadora Luzia Nogueira Nogui, de 44 anos, e o engenheiro Eizi Nogui Júnior, de 45, levaram para casa a pequena Helena, de 3 meses. Eles já são pais adotivos de João Pedro, de 6 anos, que também desejava a chegada da irmã.
"Eu sei que ela estava sendo bem cuidada no abrigo, mas quando é nosso filho, a gente quer em casa, com a gente. Então, queria tirá-la o mais rápido de lá", disse Luzia, que foi surpreendida pela notícia da adoção no início deste mês.
Hoje, data em que é comemorado o Dia Nacional da Adoção, uma outra família do interior do Rio também passa por uma experiência de amor na pandemia. O policial militar Flávio Hilton, de 48, e a técnica de enfermagem Cristiane Gomes, de 41, experimentam as belezas e as agruras de criar uma família.
Há 16 anos juntos, Flávio e Cristiane planejavam uma adoção nos últimos três. Em dezembro do ano passado, eles finalmente conheceram e adotaram suas filhas, quatro meninas de três, cinco, oito e 10 anos. A vida do casal mudou com a chegada das meninas, mas com a pandemia e o isolamento social, a experiência tem sido desafiadora.
"Agora, também me transformei em professora de maternal, Pré II, terceiro e quarto anos. Estou exausta, mas feliz. A gente não se arrepende de filhos", disse Cristiane, lembrando que as meninas já estavam adaptadas à escola quando tudo mudou. "Às vezes, durmo e sonho que adotei quatro crianças. Quando acordo, vejo que era verdade. A pandemia veio como uma avalanche, mas fico feliz em tê-las ao nosso lado", contou Flávio.
A pandemia do novo coronavírus não parou o processo de adoção de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro. Varas da Infância da Justiça fluminense se adaptaram e dão prosseguimento a processos em audiências por videoconferência. Conforme dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), do último dia 21, havia 517 crianças disponíveis para adoção no Estado do Rio. Os pretendentes à adoção são 3.795 pessoas.
De acordo com o juiz Sérgio Luiz de Souza, titular da 4ª Vara, mesmo a entrega de crianças para abrigos continuam ocorrendo. "Mães que querem entregar os filhos para adoção têm que procurar o Plantão Judiciário. As audiências estão ocorrendo por uma plataforma online", explicou.
Segundo Souza, apesar da pandemia, a fila para adoção está andando: "As pessoas que estão no sistema nacional de adoção serão contactadas quando houver a decisão de colocação de família substituta. No caso para novos habilitados, o juiz orienta que seja acionado o cartório da região do pretendente, através de e-mail.

Medidas para abrigados
O governo federal publicou, mês passado, recomendação conjunta - com o Conselho Nacional de Justiça e outros órgãos - para crianças e adolescentes em abrigos e sob medida protetiva de acolhimento durante a pandemia. De acordo com o Ministério Público do Rio, até o último dia 20 havia 1.497 crianças e adolescentes acolhidas no Estado do Rio (nem todos os acolhidos estão disponíveis para adoção).
Segundo o coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude do MPRJ, Rodrigo Medina, diante da pandemia, o objetivo da Recomendação Conjunta é cuidar da saúde e segurança de crianças afastadas do convívio familiar, em guarda provisória ou instituições de acolhimento.
Uma das recomendações é a priorização de procedimentos para concessão de guarda provisória a pretendentes previamente habilitados, mediante relatório técnico favorável e decisão judicial, nos casos de crianças e adolescentes que se encontrem em estágio de convivência para adoção.
"Essas pessoas estão sob a proteção do Estado e precisavam de um olhar especial, para que possam ter asseguradas suas condições de sobrevivência e de segurança nesse momento. Fomos provocados por organizações que já estavam lidando com a transmissão do vírus entre funcionários e o risco de contaminação em massa de crianças acolhidas", explicou a Secretária Nacional de Assistência Social, Mariana Neris, quando a recomendação foi publicada.
 
Programa estimula adoção por servidores
O programa "Um Lar Para Mim", do governo do Estado do Rio, é destinado à adoção por parte de servidores públicos efetivos e inativos. Eles recebem uma ajuda de custo de três a cinco salários mínimos.Atualmente, 565 crianças estão em convivência familiar. Este ano, o programa incentivou o acolhimento de 10 crianças objetivando a adoção. Quatro já foram concluídos e seis estão em processo de análise.
Além de reduzir o tempo de permanência delas nos abrigos, o programa possibilita que tenham acesso aos direitos que constam no Estatuto da Criança e do Adolescente, como a convivência familiar e comunitária, o acesso à saúde, alimentação, educação, esporte, lazer, cultura e profissionalização. Sem contar todo o amor envolvido nisso", explica a secretária de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Fernanda Titonel.

 

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Quatro irmãs foram adotadas por casal do interior do Estado do Rio: desafio durante pandemia Arquivo pessoal
A contadora Luzia Nogueira Nogui adotou a pequena Helena durante a pandemia Arquivo pessoal

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