Prefeito Marcelo Crivella - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Prefeito Marcelo CrivellaReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Por *Rachel Siston
Rio - A prefeitura do Rio já traça um plano de retomada das atividades que foram paralisadas por conta da covid-19. Em coletiva no Hospital de Campanha do Riocentro, nesta segunda-feira, o prefeito Marcelo Crivella afirmou que o Conselho Científico se reúne a cada dois dias para analisar a situação da cidade. Mas, ainda não há previsão para o fim das medidas restritivas e os bloqueios em 13 bairros foram prorrogados por mais sete dias.

De acordo com Crivella, os clubes de futebol esperavam iniciar os treinos coletivos com bola hoje, mas a prática foi adiada para o mês de junho. As partidas, sem torcida, devem começar em julho e os times pediram à prefeitura que, com base nos dados da curva de julho, sejam definidas as duas rodadas finais do campeonato.

Nesta semana, começam a ser publicadas as regras de ouro, que são os protocolos a serem adotados para reabertura. A previsão é que no próximo mês, reabram as concessionárias de automóveis, lojas de móveis e academias de ginástica. "Já temos planos para o retorno. A expectativa é de ir abrindo aos poucos, não há expectativas de fechar mais, de impedir mais atividades", afirmou o prefeito.

Também durante a semana, serão disponibilizados 880 leitos no Hospital de Campanha e no de referência ao tratamento do coronavírus, Ronaldo Gazolla, em Acari, na Zona Norte. Desses, 100 serão para Unidade de Terapia Intensiva (UTI), na unidade do Riocentro, e 200 no de Acari. Crivella também reforçou que, desde o início do isolamento social, os templos religiosos foram considerados atividades essenciais e, por isso, poderiam funcionar, seguindo as recomendações de proteção e higiene.

"Ocorre que policiais militares, da Casa Civil e guardas municipais acabavam mandando (os templos) fechar, ocorreu esses incidentes. As igrejas são atividades essenciais e devem continuar funcionando, é importante para a população. Idosos, pessoas com comorbidades, recomendado culto via internet, televisão, rádio."

Durante a coletiva, a diretora do Hospital Municipal Salgado Filho, Carla Cantisano, foi questionada sobre as condições precárias de atendimento e trabalho na unidade. As denúncias relatam que faltam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os profissionais e que pacientes não infectados ficam juntos com os internados por covid-19, mas a diretora negou as informações.

"Quando há suspeita (do novo coronavírus), esse paciente é levado para o isolamento. Não existe falta de EPI dentro do (hospital) Salgado Filho, existe a resistência de alguns funcionários da liberação irresponsável e indiscriminada, precisamos controlar para que não falte. Todos os funcionários receberam EPI", afirmou a diretora.
Controle da transmissão
A partir de hoje, o painel da prefeitura que contabiliza os dados sobre a covid-19, vai contar também com informações sobre sepultamentos pela doença na capital, para que a população tenha acesso a quantos mortes foram registradas por dia. De acordo com a secretária municipal de saúde, Beatriz Busch, esses números colaboram para uma curva de transmissão mais exata.

"A preocupação é que a cidade saiba quem está morrendo diariamente de covid-19, e esse foi o dado mais próximo para a gente poder construir curvas mais exatas. Cada vez que um laboratório liberava 300 resultados, aparecia no nosso painel como se 300 pessoas tivessem falecido nas últimas 24 horas, e a maioria dos resultados dizem respeito, talvez, a quando se iniciou os sintomas."

A pasta também vai começar um projeto de investigação nas comunidades. Equipes da SMS vão colher amostras aleatórias de uma pessoa de cada residência, para entender como tem ocorrido a imunidade sorológica nesses locais. Segundo Busch, a investigação vai auxiliar o acompanhamento da curva de transmissão e de quantas pessoas da população estão se contaminando.

"A partir de hoje a equipe começa a se familiarizar com os formulários e a metodologia para a gente começar essas coletas. Acho que no próximo mês, a gente vai ter dados muito importantes dessa prevalência sorológica", disse a secretária.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes
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